Vara correspondeu com alheiras aos robalos de Godinho

Armando Vara, arguido no processo 'Face Oculta', cujo julgamento decorre em Aveiro, esclareceu hoje ter também dado a Manuel Godinho alheiras, quando este se deslocou a Vinhais.

Vara respondia às perguntas de um dos assistentes, que quis saber se, à semelhança de Manuel Godinho, que lhe ofereceu robalos e pão-de-ló de Ovar, houve reciprocidade e também ele ofereceu algum presente. "Acho que lhe ofereci uma caixa de alheiras", respondeu Armando Vara, quando novamente interpelado pelo assistente, que pretendeu saber como é que, desconhecendo a visita de Manuel Godinho nesse dia, como havia afirmado, tinha as alheiras preparadas para lhe entregar. Nesse dia, contou Vara, era habitual receber visitas em Vinhais e as alheiras eram para as pessoas que aparecessem, como foi o caso de Manuel Godinho, com quem insistiu para ficar para almoçar.

Numa tarde "gastronómica", em que os "célebres" robalos foram de novo referidos para justificar que nem toda a gente gosta de enchidos, apesar do "bairrismo" de Armando Vara para promover as iguarias de Vinhais, falou-se também de outro almoço, desta feita em Ovar, na casa de Manuel Godinho, tendo por tema envelopes, para se falar do seu recheio. Pretendeu-se que Vara explicasse se viu ou foi portador de um outro envelope, idêntico ao que lhe foi dado por Manuel Godinho, que alegadamente estava aberto e continha 17 folhas de um acórdão, destinado a um outro arguido, Lopes Barreira. A sessão ocupou-se depois de minúcias acerca da forma como havia sido digerido um pedido de crédito de Manuel Godinho pelas instituições bancárias por onde Armando Vara passou.

Este esclareceu que Manuel Godinho era "um bom cliente" da Caixa Geral de Depósitos através de várias empresas e que o facto de ter honrado os seus compromissos perante a instituição, apesar do conflito com a REFER e de cerca de um milhão de euros em facturas devolvidas, só abonou a seu favor. Armando Vara afirmou ter sido ele que o levou "para o Millennium BCP" como cliente e, por isso mesmo, fez questão de pessoalmente lhe transmitir que, também no BCP, a operação de "factoring" [crédito] tinha decisão desfavorável. "Havia três condições: o recomeço da actividade com o banco, a conta estar municiada com 250 mil euros e o acesso à contabilidade da empresa. Falei-lhe várias vezes na importância da contabilidade, mas não cumpriu nenhuma das condições", disse.

"Houve uma decisão de não abrir o crédito e fiz questão de lho comunicar porque tinha sido eu a levá-lo para o BCP", declarou. Vara admitiu que a notícia de um jornal sobre a actuação das Finanças no universo empresarial de Manuel Godinho o levou a precauções acrescidas. "Tive a percepção de que era preciso agir com mais cautela em relação ao crédito e foi o que fiz", disse, sublinhando sempre ter defendido os interesses das instituições para que trabalhou. Armando Vara explicou que, tal como na CGD, conhecida como conservadora na concessão de crédito, também no BCP esse tipo de decisões eram ratificadas por órgão próprio, que se rodeia de informações sobre a situação do cliente, e que só depois de uma avaliação bancária acabou por ser decidido favoravelmente.

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