Testemunha diz que Peneados tentou favorecer Godinho

Um engenheiro da REN associou hoje o ex-presidente da empresa José Penedos a alegadas manobras para favorecer o sucateiro Manuel Godinho em trabalhos de remoção de resíduos da Central da Tapada do Outeiro.

Andrade Lopes disse ter ouvido dizer que José Penedos pediu para se contactarem empresas da lista de fornecedores de serviços qualificados, que incluía a O2, do arguido Manuel Godinho.

O engenheiro citou a propósito um contacto feito, "com um ar pesaroso", pelo sua superior hierárquica, Maria José Clara, que também será chamada a testemunhar no processo.

Em causa estava uma remoção de resíduos que antes estaria adjudicada à empresa Caflixa.

Andrade Lopes era o funcionário da gestora da rede elétrica que, em 2009, tinha a seu cargo o caso da central da Tapada do Outeiro e que reportava ao ex-director-geral Vítor Baptista, acusado neste processo por corrupção e participação económica.

O advogado do arguido Paulo Penedos chegou a acusar Andrade Lopes de favorecimento, através de informação privilegiada a Manuel Godinho, aludindo a este engenheiro como alguém que "falta nos autos".

O próprio Paulo Penedos, filho de José Penedos, declarou que Andrade Lopes teria dado informações privilegiadas a Namércio Cunha, braço-direito de Godinho, relacionadas com concursos para a remoção de resíduos da antiga central, apoiando-se em escutas de conversas telefónicas entre os dois, ouvidas na sala de audiências.

Namércio Cunha rejeitou.

Andrade Lopes continua a depor terça-feira, data em que prossegue o julgamento.

A questão das relações Redes Energéticas Nacionais/Godinho ficou, contudo, secundarizada no um dia em que Ministério Público anunciou o início de um procedimento criminal contra o ex-ministro do governo socialista Mário Lino por alegadas falsas declarações.

Sete advogados de defesa contestaram o posicionamento do Ministério Público, num requerimento que acabou indeferido.

Para o presidente do coletivo de juízes, Raul Cordeiro, a questão foi suscitada de forma "absolutamente estranha" ao desenvolvimento do processo, pelo que decidiu penalizar os arguidos que os advogados representam com uma multa de 306 euros cada.

O processo 'Face Oculta' está relacionado com uma alegada rede de corrupção que teria como objetivo o favorecimento do grupo empresarial do sucateiro Manuel Godinho nos negócios com empresas do setor empresarial do Estado e privadas.

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