Testemunha admite que "calou" parte do que sabia

O engenheiro da REN Andrade Lopes, testemunha da 'Face Oculta', admitiu hoje no tribunal de Aveiro que escondeu à PJ e ao juiz de instrução informações relevantes para o processo, alegando que lhe faltou então "coragem" para falar abertamente.

"Não me senti, na altura, com coragem suficiente para o dizer", argumentou Andrade Lopes, justificando deste modo porque é que só em audiência associou o topo da hierarquia da REN a algumas pressões para favorecer o sucateiro Manuel Godinho.

"O clima na altura era muito pesado", acrescentou, depois de ser confrontado, a requerimento das defesas de José Penedos e Vítor Batista (antigos presidente e diretor-geral da REN), com "manifestas contradições e evidentes discrepâncias" entre o que disse em audiência e o que afirmou em fases anteriores do processo.

Em audiência, Andrade Lopes afirmou, por exemplo, ter-se sentido "incomodado" porque a sua chefe, Maria José Clara, teria sido pressionada, alegadamente pela administração da REN, "para que se arranjassem resíduos" que pudessem ser removidos pelas empresas de Manuel Godinho, o que antes omitira.

Espera-se agora que Maria José Clara, a próxima testemunha que o tribunal de Aveiro vai inquirir, clarifique este ponto.

Andrade Lopes, que está a ser ouvido há quatro sessões, tem optadopor um tom cauteloso ("admito que", foi a expressão mais usada), apesar de garantir que apontava praticamente tudo e de chegar a fornecer ao tribunal diversos dossiês com notas pessoas sobre o processo.

A testemunha tinha a seu cargo na REN, em 2009, a central da Tapada do Outeiro e reportava ao ex-director-geral Vítor Baptista, acusado neste processo por corrupção e participação económica.

O processo 'Face Oculta' está relacionado com uma alegada rede de corrupção que teria como objetivo o favorecimento do grupo empresarial do sucateiro Manuel Godinho nos negócios com empresas do sector empresarial do Estado e privadas.

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