Sucateiro nega ter facultado despacho do MP à RTP

O sucateiro Paulo Pereira Costa acusado do crime de violação do segredo de justiça no âmbito do caso Face Oculta negou hoje ao Tribunal ter disponibilizado o despacho do Ministério Público, que lhe foi entregue, a um canal de televisão.

"Alguém o fez, mas eu não fui", afirmou o arguido, Paulo Pereira Costa, no Tribunal Judicial de Aveiro, onde hoje começou o julgamento, depois de ter sido adiado por duas vezes, por falta de prova pericial solicitada pela defesa. O sucateiro, que admitiu sentir "vergonha" do caso Face Oculta, o que o levava "a fugir das câmaras de TV", disse ainda que se for condenado no âmbito deste processo será "a maior injustiça do mundo". Na sessão de hoje, a juíza ouviu as testemunhas arroladas pela defesa e acusação, incluindo funcionários do Departamento de Investigação e Acção Penal de Aveiro, inspectores da Polícia Judiciária (PJ) de Aveiro e familiares e funcionários do arguido.

O Ministério Público sustenta que o arguido recebeu o despacho no dia 28 de Outubro de 2009, quando a PJ fez as buscas ao seu escritório/habitação e viaturas e, no mesmo dia, terá facultado o documento a um jornalista não identificado da RTP. Esta tese foi corroborada por um um inspector da PJ que declarou que as marcas no documento que foi entregue a Paulo Costa são iguais às que apareceram na reportagem televisiva (um sinal igual) que passou no jornal da noite, revelando factos na altura abrangidos pelo segredo de justiça.

Ao longo da sessão, a defesa explicou todos os passos dados pelo arguido naquele dia, tentando provar, dessa forma, que Paulo Costa não teve qualquer hipótese de enviar o referido despacho para o canal de televisão. O julgamento continua no dia 10 de maio, às 09:30, prevendo-se neste dia que se realizem as alegações finais. No âmbito do processo Face Oculta, Paulo Pereira Costa foi acusado por dois crimes, um de associação criminosa e um de receptação, ficando obrigado ao pagamento de uma caução de 25 mil euros. O processo Face Oculta investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, a que está ligado Manuel José Godinho. Entre os arguidos estão personalidades como Armando Vara, ex-administrador do banco Millenium BCP, e José Penedos, ex-presidente da REN (Redes Energéticas Nacionais), e o seu filho Paulo Penedos.

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