Moniz: PM "não tem condições" para continuar a governar

O ex-director-geral da TVI, José Eduardo Moniz, considera "assustador" o teor da notícia publicada hoje no semanário Sol, sobre o alegado plano do Governo para controlar os media, por "confirmar os indícios" de ingerência governamental na TVI e defende que o primeiro-ministro "não tem condições" para continuar a governar.

"É assustador termos a confirmação daquilo que eram indícios sérios de intervenção governamental no que diz respeito à TVI e às relações com a sua administração, nomeadamente com a administração da Media Capital", disse hoje à Lusa José Eduardo Moniz.

A edição de hoje do semanário Sol transcreve extractos do despacho do juiz de Aveiro responsável pelo caso Face Oculta em que este considera haver "indícios muito fortes da existência de um plano", envolvendo o primeiro ministro, José Sócrates, para controlar a estação de televisão TVI e afastar Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz. Do despacho constam transcrições de escutas telefónicas envolvendo Armando Vara, então administrador do BCP, Paulo Penedos, assessor da PT, e Rui Pedro Soares, administrador executivo da PT.

"É lamentável que isto aconteça, que a democracia portuguesa seja abalada por situações deste género e que haja conluios entre poder político e poder económico no sentido de condicionar o livre jornalismo em Portugal", afirmou o ex-director-geral da TVI.

Moniz defende ainda que "alguém tem de intervir para pôr ordem neste país", porque estão a atingir-se "limites inadmissíveis".

"Já não é apenas a crise económica, é uma crise de valores que atravessa a sociedade portuguesa. Acho que isto não é sinal de maturidade, não é bom para a tal credibilidade que ontem [quinta-feira] o ministro das Finanças dizia ser preciso transmitir para o exterior", sustentou.

Por isso, o actual administrador da Ongoing defende o afastamento de José Sócrates do Governo.

"Acima disso tudo, acho que este primeiro-ministro, pelas fragilidades de carácter que tem vindo a revelar, não tem condições objectivamente para continuar a ser primeiro-ministro", afirmou.

José Eduardo Moniz defende ainda que o Parlamento, "perante quem o primeiro-ministro disse não saber nada sobre os negócios que se estavam a desenhar entre a Prisa e a Portugal Telecom (PT), tem de fazer alguma coisa", e que o Presidente da República "não pode ficar indiferente".

O processo Face Oculta investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas.

No âmbito deste processo, foram constituídos 18 arguidos, incluindo Armando Vara, ex-ministro socialista e vice-presidente do BCP, que suspendeu as funções, José Penedos, presidente da REN - Redes Eléctricas Nacionais, suspenso de funções pelo tribunal, e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA. Esta é a empresa que está no centro da investigação e o seu proprietário, Manuel Godinho, é o único dos 18 arguidos do processo que está em prisão preventiva.

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