Mário Lino em tribunal como testemunha de acusação

O ex-ministro Mário Lino volta hoje ao tribunal de Aveiro, oito dias após testemunhar no processo 'Face Oculta', para clarificar "divergências" que o Ministério Público detetou entre as suas declarações em instrução e, depois, em audiência.

Antes de o ex-ministro socialista reatar o seu depoimento, deverá concluir-se a audição, iniciada na última semana, de uma longa gravação com o testemunho de Lino perante o juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), em janeiro de 2011.

As alegadas discrepâncias de depoimentos assinaladas pelo procurador Marques Vidal reportam-se aos contactos de Mário Lino com o presidente da Refer, Luís Pardal, sobre Manuel Godinho, principal arguido do processo 'Face Oculta' e com o próprio sucateiro de Ovar.

Na última semana, Mário Lino confirmou que recebeu Manuel Godinho mas, ao contrário do referido na fase de instrução, nada disse sobre supostas alusões do arguido a um acórdão do Tribunal da Relação do Porto favorável às suas empresas e que se relacionava com o processo 'Carril Dourado', sobre furto de carris na linha do Tua.

O procurador de Aveiro pretende ainda que Mário Lino fixe quantas vezes e em que datas é que falou a Luís Pardal para receber o sucateiro de Ovar.

Na audiência da última quinta-feira, o ex-ministro das Obras Públicas garantiu só ter falado duas vezes com Pardal sobre Godinho, ambas em meados de 2008, uma antes e outra depois de ter recebido o sucateiro.

Contradisse, desse modo, o que afirmara ao juiz de instrução Carlos Alexandre, altura em que situou esses contactos no ano de 2008 ou no início do de 2009.

Para ajudar a esclarecer alguns destes detalhes, o tribunal de Aveiro deverá ouvir, também hoje, a requerimento da defesa do arguido Armando Vara, um ex-assessor do Ministério das Obras Públicas, Pedro Abreu.

A acusação do processo 'Face Oculta' alega que o antigo titular da pasta das Obras Públicas terá sofrido pressões de Vara e de Barreira, coarguidos no processo, com vista à destituição de Luís Pardal da liderança da Refer e reabrir portas aos negócios de Godinho com a Refer, que estavam suspensos por determinação da empresa ferroviária.

O regresso do ex-ministro socialista ao tribunal de Aveiro ocorre após notícias segundo as quais Mário Lino pode voltar a enfrentar a justiça, mas na condição de arguido, por tráfico de influências.

O ex-ministro é um dos ex-governantes socialistas citados numa queixa do Automóvel Clube de Portugal por suposta gestão danosa na negociação dos contratos das SCUT.

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