José Penedos nega ter dado "informações específicas" ao seu filho sobre a REN

O ex-presidente da REN, José Penedos, arguido no processo Face Oculta negou hoje ter revelado qualquer "informação específica" ao seu filho, Paulo Penedos, sobre a empresa que gere as Redes Energéticas Nacionais e que pudesse favorecer o sucateiro Manuel Godinho.

José Penedos começou a ser interrogado cerca das 16:30, durante a terceira sessão do julgamento do caso, relacionado com crimes económicos, que está a decorrer no Tribunal de Aveiro. O ex-presidente da REN começou por afirmar ter conhecido Manuel Godinho, o principal arguido no caso, em 2008, quando foi tomar um café a casa do seu filho, Paulo Penedos, também arguido neste processo. Nesse momento - acrescentou - teve a perceção que havia relações contratuais entre a REN e a empresa O2, de Manuel Godinho. No entanto, sublinhou que, enquanto presidente da REN não tratava de matéria de resíduos - o negócio do sucateiro de Ovar.

José Penedos admitiu, contudo, ter tido "conversas gerais" com o seu filho sobre a operação de limpeza e demolição das instalações da REN na Tapada do Outeiro, mas assegurou que nunca lhe deu "informações específicas" sobre as empresas para as quais trabalhava. O arguido afirmou ainda, perante o tribunal, nunca ter levado "nenhuma proposta de resíduos" ao conselho de administração da empresa. Questionado pelo juiz-presidente Raul Cordeiro sobre as prendas natalícias entregues por Manuel Godinho, José Penedos respondeu não ter "nenhuma memória individualizada de nenhuma prenda", adiantando ainda "não saber qual a proveniência das prendas" que recebia na empresa.

Ainda sobre esta matéria, referiu que, durante as buscas à sua casa, a Polícia Judiciária identificou duas peças que estavam expostas na sala, como tendo sido oferecidas por Manuel Godinho, e que entregou ao seu advogado "para saber se aquele tipo de prendas podia condicionar a liberdade de agir do presidente da REN". Segundo a acusação, José Penedos terá recebido de Manuel Godinho entre 2002 e 2007, um centro de mesa 'Grand Lagoon', uma fruteira sem asas, uma jarra de prata, uma caneta 'Dupont' e um cantil D. João II, tudo no valor de mais de cinco mil euros.

O depoimento de José Penedos, que responde por dois crimes de corrupção e outros dois de participação económica em negócio, foi interrompido cerca das 17:50 e continuará na sexta-feira. O ex-presidente da REN foi o segundo arguido a falar ao tribunal, depois do ex-ministro Armando Vara, que terminou hoje o seu depoimento.

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