José Penedos afirma nada ter feito para a REN escolher a empresa de Manuel Godinho

José Penedos explicou hoje no Tribunal de Aveiro como funciona o processo de decisões na REN e afirmou que jamais teve qualquer intervenção na escolha da empresa O2, de Manuel Godinho, para a remoção de resíduos.

O antigo responsável da REN respondia a questões colocadas pelo procurador Marques Vidal no julgamento do processo Face Oculta, garantindo que "o único caso" que acompanhou "de perto" na gestão dos resíduos foi o da Central da Tapada do Outeiro, porque representava "um perigo para as pessoas e de intrusão de estranhos". Demarcando-se de decisões diretas no que envolve os negócios da O2 com as Redes Energéticas Nacionais (REN), alegando que eram tomadas por quem tinha essa competência no organograma da empresa, ou se se justificava, em reunião de conselho, José Penedos foi depois confrontado com um pedido de informação feito por si sobre a situação dos resíduos.

"Não sei se pedi, mas sei que sucatas acumuladas no interior de instalações de exploração são um grave risco e não é assunto menor para quem administra as empresas", justificou. Marques Vidal pretendeu depois que José Penedos lhe explicasse como é que, defendendo-se na REN que era preciso encontrar alternativas à empresa O2 de Manuel Godinho, basicamente por atrasos nos pagamentos, esta veio depois a ganhar o concurso para a remoção das sucatas, estranhando não ter sido levado em conta o "histórico" do relacionamento com aquela empresa. "Terá de ouvir quem levou a informação do concurso ao conselho de administração que é quem poderá esclarecer", respondeu o arguido.

O concurso dos resíduos da Tapada do Outeiro dominou o interrogatório do Ministério Público a José Penedos, que exibiu a escuta a um telefonema entre o filho de José Penedos, Paulo Penedos, que é igualmente arguido no processo, e um quadro da empresa de Manuel Godinho, em que o primeiro o informava de que o concurso iria ser faseado, o que veio a ser decidido. "As informações que poderei ter dado ao meu filho são gerais e não específicas ou privilegiadas. Pode o Tribunal perguntar 20 vezes que vai ter a mesma resposta", reagiu José Penedos, dizendo que as declarações de Paulo Penedos eram da responsabilidade deste. Contou mesmo um episódio que se terá passado entre os dois quando ouviu as primeiras escutas: "pus-lhe o braço no pescoço e perguntei-lhe o que é que tinha andado a dizer do pai".

Marques Vidal não desarmou, questionando-o se não achava incompatível o filho, advogado, ter uma relação com uma empresa fornecedora da REN e concluindo que José Penedos devia-se sentir impedido de participar em decisões da REN sobre empresas em que Paulo Penedos interviesse. Num julgamento em que as prendas têm estado na ordem do dia, hoje não foi exceção à regra, com o Ministério Público a mostrar a lista de contemplados pela O2 de Manuel Godinho, onde estavam alguns objetos oferecidos a José Penedos, que este "não se lembrava" e uma curiosidade: na lista em Excel, havia um campo para a classificação conforme o valor, do tipo "AA+", como está em voga nas agências de notação financeira. O dia terminou com os juízes, público e jornalistas a saírem da sala de audiências, que ficou reservada, com os meios à disposição, para os advogados ouvirem as escutas ainda não transcritas e dizerem se entendem que devem ser admitidas como meio de prova, como foi requerido pela acusação.

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