Investigação vai continuar com a abertura de instrução

Arguidos ficaram surpreendidos por verificar que foram acusados por mais crimes do que aqueles  por que estavam indiciados

A maioria dos 34 arguidos singulares acusados no processo "Face Oculta" mantém ainda a esperança de não ser pronunciada para julgamento indo, para o efeito, requerer a abertura de instrução do processo, o que deverá alargar as investigações, no mínimo, por mais três meses, apurou o DN. A esperança reside no facto de muitos terem sido acusados por mais crimes do que aqueles por que estavam indiciados e, nalguns casos, por a acusação contrariar as auditorias realizadas pelo Inspecção-Geral das Finanças (IGF).

São vários os casos dos arguidos que viram aumentados os crimes na acusação. Por exemplo: Manuel Godinho, o principal arguido, estava indiciado de 30 crimes e aparece acusado de 60; Mário Pinho, chefe da Repartição de Finanças de São João da Madeira, estava indiciado de um crime de corrupção passiva para acto ilícito e aparece acusado de dois crimes: um de associação criminosa e um de corrupção passiva para acto ilícito; Armando Vara, ex-ministro socialista e antigo administrador do Millenium-BCP, está acusado de três crimes de tráfico de influência, quando antes estava indiciado apenas por um; e José Penedos, ex-presidente da empresa REN-Redes Eléctricas Nacionais, está acusado de quatro crimes, quando antes estava indicado apenas por um. Há outras situações idênticas.

Mas o mais curioso é o caso de José António Contradanças, vogal da administração da empresa IDD (Indústria de Desmilitarização e Defesa). O Ministério Público acusa-o de um crime de corrupção passiva para acto ilícito, ao passo que numa auditoria da IGF, a que o DN teve acesso, se assegura que a IDD cumpriu todos os requisitos legais nos concursos em que Manuel Godinho se propôs recolher sucatas, tendo, inclusive, perdido.

Os advogado dizem-se confiantes que muitos dos crimes da acusação devam cair na instrução.

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