Funcionário da EP nega ter recebido suborno

Um funcionário da Estradas de Portugal (EP), que ficou conhecido como o 37.º arguido do processo 'Face Oculta', negou hoje ter sido subornado para consentir a viciação do peso dos resíduos recolhidos nas instalações da empresa em Viseu.

Joel Costa, que foi ouvido durante a manhã no tribunal de Aveiro enquanto testemunha de acusação, é arguido num processo autónomo que resultou de uma certidão extraída do processo principal, já durante a fase de instrução.

Este condutor de máquinas pesadas que trabalha para a empresa pública há cerca de 30 anos está acusado de um crime de corrupção passiva para ato ilícito, num julgamento que tem início marcado para o próximo dia 13, no tribunal de Ovar.

Segundo a acusação, em 2009, Joel Costa terá recebido dinheiro para que consentisse a viciação do peso dos resíduos valorizáveis recolhidos pela O2, de Manuel Godinho, no parque de materiais da delegação de Viseu da EP.

Durante a sessão, a testemunha foi confrontada com a escuta de uma conversa telefónica entre Hugo e João Godinho, coarguidos no processo, onde o primeiro diz que "o gajo encarregado de lá gosta de umas coisinhas" e sugere a João que vá "apalpar terreno e tentar trazer alguma coisinha".

Numa outra conversa, com os mesmos intervenientes, Hugo diz ter já falado com o seu "amigo" e que "vão reter os talões todos".

"Quem acompanhou as pesagens foi o senhor. Foi o senhor que recebeu este dinheiro?", questionou o procurador do Ministério Público, Marques Vidal.

Joel Costa respondeu negativamente, esclarecendo que só acompanhou "cinco ou seis pesagens".

Segundo a testemunha, algumas das pesagens terão sido acompanhadas por Fernando Couto, que na altura era o encarregado do parque.

Joel Costa referiu ainda que deixava os talões no escritório, um local que podia facilmente ser acedido por todos os funcionários a qualquer momento.

Da parte da tarde, o coletivo de juízes presidido por Raul Cordeiro, ouviu Fernando Couto que disse que só pesou as taras dos camiões, no primeiro dia, tendo incumbido Joel Costa de acompanhar as pesagens dos resíduos e os carregamentos.

"Eu não recebi nada. Sou muito honesto", vincou a testemunha, atualmente na reforma.

Ainda durante a tarde foi ouvido o diretor do gabinete de auditoria geral da EP, Carlos Lopes, que foi responsável pela realização de um inquérito interno que foi aberto na sequência do processo 'Face Oculta'.

No decurso desse inquérito, segundo o economista, foi detetada "uma discrepância numa das cargas de cerca de uma tonelada", relativamente ao carregamento efetuado, com um prejuízo para a empresa pública entre 20 e 480 euros, em função do tipo de resíduo valorizável.

O processo 'Face Oculta' está relacionado com uma alegada rede de corrupção que teria como objetivo o favorecimento do grupo empresarial do sucateiro Manuel Godinho nos negócios com empresas do setor empresarial do Estado e privadas.

Entre os arguidos estão personalidades como Armando Vara, ex-administrador do BCP, e José Penedos, ex-presidente da REN, e o seu filho Paulo Penedos.

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