Arguidos entram na recta final para evitar julgamento

Namércio Cunha, antigo número dois de Manuel Godinho, foi o primeiro a prestar declarações ao juiz Carlos Alexandre. Hoje, é a vez de José Penedos, ex-presidente da REN.

Os arguidos do processo "Face Oculta" entraram, ontem, nos últimos 100 metros para evitarem ser levados a julgamento. São as últimas declarações prestadas perante o juiz Carlos Alexandre, antes de o magistrado decidir quem segue para a fase seguinte e quem vê o respectivo caso arquivado. Namércio Cunha, apontado como o antigo braço direito do empresário Manuel Godinho, foi o primeiro a prestar declarações. Hoje é a vez de José Penedos, ex-presidente da REN. Armando Vara fala na quinta-feira.

Foi para "continuar a colaborar com a justiça e para esclarecer o tribunal" que Namércio Cunha, acusado de um crime de associação criminosa e um de corrupção activa para acto ilícito, prestou ontem declarações no Tribunal Central de Instrução Criminal perante o juiz Carlos Alexandre. Segundo Dália Martins, advogada do arguido, as declarações que Namércio Cunha não têm como objectivo incriminar outros arguidos, mas "apenas esclarecer casos que lhe digam respeito".

Sem estar formalmente a coberto de um estatuto de arrependido, certo é que Namércio Cunha já fez declarações no processo que ajudaram o Ministério Público a cimentar suspeitas contra o principal arguido do caso, Manuel Godinho, que se encontra preso preventivamente. Como, por exemplo, as declarações por si pres- tadas, a 15 de Setembro de 2010, ao inspector Carlos Maciel da Polícia Judiciária de Aveiro. Na altura, Namércio Cunha descreveu algumas das práticas que terão ocorrido nas empresas de Godinho relativamente a pesagens de resíduos e a eventual manipulação dos números de forma a maximizar os lucros das empresas de Manuel Godinho.

Ontem, Namércio Cunha terá confirmado algumas das declarações prestadas durante o inquérito (na fase de instrução as audições de arguidos e testemunhas decorrem à porta fechada), procurando, segundo informações recolhidas pelo DN, afastar as suspeitas que sobre si recaem.

Ontem, pelo TCIC também passou o economista José Contradanças, arguido acusado de um crime de corrupção. À entrada para a audição, Contradanças, à data dos factos vogal da Empordef, empresa pública ligada à Defesa Nacional, declarou: "Espero que isto termine de uma vez por todas. Eu nunca tive nada a ver com o assunto."

O seu advogado adiantou não ter nenhuma estratégia especial para este interrogatório e que José Contradanças iria manter o que disse na investigação e esperar que "os argumentos colham" no Ministério Público e no juiz Carlos Alexandre.

José Paulo Dias explicou que foi o seu cliente que quis ser ouvido nesta fase porque "houve alguns aspectos que acabaram por não serem esclarecidos" na fase de inquérito devido às limitações do prazo de inquérito decorrentes da prisão preventiva de Manuel Godinho, dono da empresa O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, que está no centro da investigação.

Para hoje, está prevista a audição de José Penedos, antigo presidente da REN, acusado pelo Ministério Público de dois crimes de corrupção passiva e outros tantos de participação económica em negócio.

Na próxima quinta-feira, é a vez de Armando Vara, suspeito de três crimes de tráfico de influências. A acusação sustenta que o ex-administrador do BCP recebeu de Manuel Godinho 25 mil euros para lhe facilitar negócios.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG