Portugueses preferem juntar dívidas no banco

As famílias portuguesas guardam cada vez menos dinheiro. Em média, só vão para o mealheiro familiar 7,9% dos rendimentos ganhos anualmente.

As famílias poupam cada vez menos. Explicação? Rendimentos baixos, carestia de vida, endividamento à banca, febre consumista a acompanhar as (historicamente) baixas taxas de juro e livre contratação de empréstimos bancários. Afinal o negócio da banca é "criação de dívida", não da poupança.

Hoje é o Dia Mundial da Poupança, mas isso passa ao lado dos portugueses. Contas feitas, no ano passado, os famílias portuguesas poupavam apenas 7,9% do rendimento disponível - salários e rendas, deduzidos de impostos e contribuições para a Segurança Social). Em 2006, o mealheiro representava 8,4% dos rendimentos auferidos.

Nunca as famílias portuguesas pouparam tão pouco. Ainda não estão apurados dados para 2008. Mas, há dez anos (1998) cerca de 10,5% do rendimento eram encaminhados para poupança. Um nível que se manteve - com pequenos altos e baixos - até 2005. Poupanças encaminhadas para depósitos bancários, aplicações em acções, instrumentos de dívida, etc.

Poupar? pelo contrário. Os portugueses nunca estiveram tão endividados. Em média, as dívidas à banca - para compra de casa, empréstimos ao consumo - ultrapassam em 129% os rendimentos médios anuais.

É a falta de poupanças, bem como o elevado nível de endividamento das famílias que está a hipotecar Portugal ao exterior. A dívida ao estrangeiro deverá este ano ultrapassar os 100% da riqueza gerada no país. Como foi isto possível? É o resultado de um forte aumento de empréstimos das famílias solicitadas à banca comercial.

Os banqueiros, por sua vez, são obrigados a recorrer à poupança externa, na forma de empréstimos a bancos europeus. São mais de 92 mil milhões de euros, 54,1% do PIB. Isto acontece porque não existe poupança interna suficiente, na forma de depósitos na banca.

É que, em Julho, os empréstimos acumulados à economia atingiam os 263,1 mil milhões de euros. Para fazer frente a estes créditos existiam em depósitos apenas 150 mil milhões de euros, 57% das necessidades. Foi para cobrir o diferencial que os banqueiros endividaram-se em 92 mil milhões de euros.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG