Portugueses pedem menos dinheiro à banca

A economia portuguesa está em forte abrandamento, com o consumo das famílias estagnado e estas a contrair menos empréstimos à banca. As empresas estão também a pedir menos créditos e no segundo trimestre do ano os dados referentes ao investimento parecem confirmar as previsões de queda, anunciada esta semana pelo banco central, no boletim de Verão.

A actividade económica está em abrandamento pelo oitavo mês consecutivo. A economia - medida através de indicadores avançados para o PIB, que resumem o comportamento de vendas dos lojistas, produção industrial, enquadramento externo e quadro financeiro das famílias - terá crescido apenas 0,1% em Junho, em comparação com o mesmo mês do ano passado. O que representa a evolução mais baixa desde Novembro de 2003, quando o país estava mergulhado em recessão económica e está em linha com a revisão em baixa da economia, efectuada esta semana pelo Banco de Portugal.

Na quinta-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE) já revelava que o "estado de alma" dos consumidores estava no seu ponto mais baixo desde Maio de 2003. Ontem, na sua síntese mensal, o Banco de Portugal revela que o consumo estagnou em Junho face ao mesmo mês do ano passado. Por norma, estes indicadores são revistos em alta no mês seguinte, mas, para já, a evolução das compras das famílias só encontra pior desempenho em Novembro de 2003.

Os dados relativos ao défice externo, confirmam o agravamento das contas internacionais portuguesas nos primeiros meses do ano. Já esta semana o "descarrilamento" do "deve e haver" com o estrangeiro foi referida pelo banco central. O Fundo Monetário Internacional (FMI) também "intimou" mesmo os portugueses - famílias, empresas e Estado - a poupar.

O défice externo aumentou 1,38 mil milhões de euros nos primeiros quatro meses do ano, uma expansão de 35%, face ao mesmo período do ano passado. Isto deve-se à deterioração do comércio externo português - com a factura dos combustíveis a sobressair - e à saída de capitais (rendimentos, salários, juros pagos por empréstimos) para o exterior, em linha com o maior endividamento das famílias e empresas.

Com menos rendimentos, mais desemprego e aumentos das taxas de juro e restrições aos empréstimos, impostas pelos bancos, as famílias - revela o Banco de Portugal - estão a ir cada vez menos aos bancos. Pelo menos para pedir mais empréstimos (ver texto em baixo), em linha com os "desejos" do FMI.

Os montantes de créditos às empresas, já de si endividadas, estão, também a desacelerar: subiram 12,1%, um decréscimo de 1,2 pontos percentuais face a igual mês do ano passado.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG