Malparado nos empréstimos ao consumo aumentou 70%

O crédito malparado na habitação aumentou 24,8% entre Setembro do ano passado e o mesmo mês deste ano, e agora cerca de 1,5% do total dos empréstimos à habitação estão em falta nos cofres dos bancos.

 Nas empresas as prestações já em contencioso aumentaram 40% em apenas um ano. Entre estas, o drama está nas construtoras nacionais. É que os empréstimos em "falha" aumentaram 66%, de acordo com dados do Banco de Portugal, ontem divulgados.

É nos empréstimos às famílias, com destino ao consumo que as campainhas de alarme soam nos bancos desde há meses. Em termos absolutos, em Setembro, em comparação com o mesmo mês de 2007, o malparado aumentou 70%, enquanto os empréstimos aumentaram apenas 23,6%. Contas feitas, em Setembro, uma quantia igual a 4,6% dos créditos estava em relapso, quando no ano passado o malparado significava apenas 3,4%.

A "produção" mensal de empréstimos à habitação está a pique e é preciso recuar até Abril de 2003 - ano de recessão económica - para encontrar valores semelhantes. Em Setembro foram celebrados contratos de empréstimos no valor de 889 milhões de euros, menos dez milhões do que em Agosto.

Isto significa uma quebra de 47%, face a Setembro do ano passado. Ou seja, as famílias portuguesas estão a contratar menos empréstimos à habitação, o que poderá encontrar explicação no aumento do endividamento das famílias com créditos à banca - em média, para pagar os actuais empréstimos é necessário dois anos de salários, líquidos de impostos - no aumento das taxas de juro ou mesmo no decréscimo da procura de habitação.

Acresce outra razão para a desaceleração nos créditos à habitação: os bancos comerciais, aflitos com falta de liquidez, estão a fechar a torneira do crédito. E exigem mais garantias, avales e seguros aos clientes.
 
A crise atinge os empresários. A relação creditícia das empresas com a banca já teve melhores dias. Entre Setembro do ano passado e o mesmo mês deste ano, os empréstimos aumentaram 11,3%, mas em contrapartida o malparado aumentou quatro vezes mais. Representa agora 2,1% do total dos empréstimos concedidos - em 2007 significava 1,7% -, mas é na construção que se observam as cifras mais negras: as prestações aos bancos em falta já superam os 3,5% do total dos empréstimos, quando em 2007 representavam apenas 2,4%.

Em termos absolutos, trata-se de um aumento de 66,2% no reembolso do crédito (amortização e juros), mas é nas "actividades imobiliárias"que o cenário financeiro é desastroso. No ano passado - em Setembro - estavam em contencioso bancário 247 milhões de euros. Este ano já estão 578 milhões de euros em falta, um acréscimo de 134%, quando os empréstimos concedidos aumentaram apenas 12,7%.

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