Dívidas das famílias são 118% do salário anual

O endividamento das famílias à banca comercial voltou a disparar. As dívidas acumuladas já ultrapassam, em média, 18% do salário liquido anual das famílias, descontado os impostos e contribuições para a Segurança Social. Isto é, as dívidas dos particulares com o crédito à habitação e ao consumo, incluindo cartões de crédito, representa 118% do rendimento anual.

Ontem, o relatório do Banco de Portugal revelou um acentuado crescimento do crédito ao consumo, o que, aliás, sustenta a recuperação do consumo privado (ver texto principal), bem como a boa saúde dos negócios da banca. Mas, o que leva os consumidores a recorrerem cada vez mais ao crédito?

Após dois anos de «aperto do cinto», em resultado dos sucessivos baixos aumentos salariais e do aumento do desemprego, as famílias encontraram no crédito bancário a tábua de salvação. Também o efeito Euro 2004 (o campeonato europeu de Futebol) terá provocado um ciclo de febre consumista, o que pode mesmo explicar o facto de a economia ter crescido cerca de 1,5% no primeiro semestre do ano.

Mas a verdade é que taxas de juros baixas levaram as famílias a visitarem os balcões da banca. São «as condições de acesso ao crédito muito acomodatícias», diz o relatório do banco central, que explicam a busca de empréstimos aos balcões da banca. Aqui um aviso ao leitor: a frase técnica do Banco de Portugal, diplomática, tem outro significado, mais familiar aos ouvidos dos economistas. Preto no branco, as taxas de juro são inferiores ao que deveriam ser. Será um aviso do banco dirigido por Vítor Constâncio, para o perigo - nos encargos mensais familiares - de uma provável subida do preço do dinheiro? Por norma, as taxas de juro indicativas ao mercado devem corresponder à soma do crescimento potencial da economia (2%/3,0%) e da inflação. Ou seja, as taxas de juro deveriam estar entre 5% e 6%.

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