Banca deve 53,4% do PIB ao estrangeiro

Banqueiros estrangeiros podem começar a restringir empréstimos aos bancos nacionais. A dívida do País chegou em Abril aos 86,6% do PIB.

Os empréstimos contraídos pela banca portuguesa junto dos banqueiros internacionais atingiram os 90,7 mil milhões de euros nos primeiros três meses do ano, cerca de 53,4% do PIB, de acordo com os dados divulgados pelo Banco de Portugal. Um montante considerado pelos economistas como elevado e que levará a banca internacional a "apertar" a concessão de crédito à economia portuguesa.

Alguns bancos, sem poupanças internas tais como depósitos à ordem ou a prazo, começam já a accionar medidas de contenção aos empréstimos, reduzindo a exposição ao exterior. Para estancar o apetite das famílias pelo crédito, os bancos em Portugal já estão a intensificar as restrições aos empréstimos, aumentando as taxas de juro e exigindo mais garantias.

Para os economistas contactados pelo DN, é impossível a manutenção do actual ritmo do endividamento das famílias portuguesas, o que, em caso-limite, levaria a banca estrangeira a negar empréstimos aos bancos nacionais. Em média, a dívida dos portugueses à banca supera em 29% o rendimento anual disponível (salários e rendimentos, descontados impostos).

Em Abril deste ano, os empréstimos às famílias e empresas aumentaram 11,3%, em comparação com igual mês de 2007. Por outro lado, os depósitos (a prazo e à ordem) cresceram 10,7% e representavam apenas 56% dos empréstimos. Ou seja, a banca necessita de recorrer ao estrangeiro para satisfazer quase metade dos empréstimos à economia.

A dívida ao estrangeiro atingiu em Abril os 147,2 mil milhões de euros, 86,6% do PIB, um acréscimo de nove pontos face ao mesmo mês de 2007. É o resultado de um aumento de 31% (em valores absolutos) do défice no comércio de bens e de uma forte deterioração (36,3%) da balança de rendimentos entre Janeiro e Abril.

Ao mesmo tempo, tendo em conta variações do PIB, o défice externo aumentou 30,3% e pode, este ano, ultrapassar os dois dígitos, o que colocará o País como o mais deficitário entre as nações da OCDE.

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