O consumidor precisa aprender a conhecer o valor do dinheiro

Natália Nunes, Gabinete de Apoio ao Sobreendividado da DECO.

O sobreendividamento das famílias portuguesas aumenta. Os processos do Gabinete de Apoio ao Sobreendividado da Deco subiram 18%. E não é só porque as pessoas ficaram desempregadas, se divorciaram ou há uma morte. Em 8% dos casos devem-se ao aumento das taxas de juros da Euribor.

Mercado de capitais, depósitos, investimentos, falências bancárias, queda do PSI-20 (as 20 empresas mais bem cotadas na bolsa), juros, créditos, débitos, captação de clientes, desaceleração da economia, enfim... chavões do glossário económico e que, à força das circunstâncias, estão a tomar conta do quotidiano do comum dos cidadãos. E que, em resumo, significam crise.

O que é que as pessoas devem fazer em tempo de crise?

Resume-se numa frase: aprender a conhecer o valor do dinheiro. Parece paradoxal, mas não é. A maior parte das pessoas não sabe como é que gasta o dinheiro. Dito de outra forma, não sabe quanto é que custa efectivamente cada produto ou serviço que compra e fica espantado quando soma as parcelas das despesas.

Porque é que as pessoas estão endividadas?

A principal causa para o aumento do endividamento das famílias tem sido a diminuição de rendimen- tos: porque se perdeu o emprego, houve um divórcio ou uma morte. Mas as coisas estão a mudar. Entre os 1323 processos (mais 18% do que em igual período de 2007) que o Gabinete de Apoio ao Sobreendividado da Deco abriu até ao final de Setembro, 8% têm a ver com a subida das Euribor (referência das taxas dos empréstimos). A subida da Euribor reflecte-se não só no crédito à habitação, mas também nos preços dos produtos, nomeadamente os alimentares. As duas grandes despesas do orçamento familiar dos portugueses são com a habitação e a alimentação.

E quem tem poupanças, o que deve fazer?

A poupança é uma regra de oiro para se sobreviver às flutuações dos juros, ao desemprego ou a qualquer outra eventualidade. E, embora a forma como se investe as poupanças seja uma decisão individual, aconselha-se que as pessoas se informem bem sobre os produtos financeiros que estão a subscrever. É importante saber onde se está a aplicar dinheiro, o que em muitos casos não acontece. Isto para se correrem menos riscos. E quem quer ter uma maior segurança no investimento deve optar sempre por um depósito a prazo. Não se aconselha a que comecem a levantar o dinheiro, até porque o Banco de Portugal e o Governo deram garantias de liquidez.
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