Madeira 'nacionaliza' preços da gasolina

A Madeira resolveu acabar com a liberalização no preço dos combustíveis , seguindo o modelo já em vigor nos Açores. A medida de fixação administrativa dos preços foi ontem justificada pelo presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, com a atitude colonial da Galp.


O executivo dos Açores, ao contrário do seu homólogo madeirense, nunca aderiu à liberalização em 2004, diferenciando, ainda, a aplicação do ISP, consoante a ilha, para obter um valor de venda uniforme no arquipélago. Na Madeira há muito que os partidos da oposição reivindicavam igual medida, daí concordarem com a decisão saída da direcção regional do Comércio, Indústria e Energia. Entretanto, Jardim deu instruções para a Inspecção das Actividades Económicas da Madeira actuar junto das gasoleiras minutos depois da meia-noite no sentido de fazer cumprir a nova portaria.


"Quem não cumprir, vai pagar multa e quem recusar pagá-la vai para tribunal", disse Jardim. Para o lider madeirense, o fim temporário da liberalização dos combustíveis é uma consequência directa da atitude da Galp, que recusou o pedido do Governo Regional para acompanhar a flutuação dos preços na Madeira e da mesma maneira e ao mesmo tempo que a empresa fazia no Continente uma atitude "colonial", diz Jardim.


A Galp afastou a descida "porque os combustíveis que estão aí ainda foram a um preço anterior". Jardim argumenta que esta lógica não foi utilizada quando o ciclo era de subida e, por isso, diz, "tivemos de ir para preços administrativos até que o mercado esteja novamente reequilibrado". Por seu turno, a directora regional de Energia da Madeira, Isabel Catarino Rodrigues, justificou esta medida ao DN da Madeira com a necessidade de travar a instabilidade dos preços e pelo facto de a liberalização não se estar a mostrar eficaz na região.

A responsável adianta que as petrolíferas invocam o facto do produto em stock na Madeira ter sido adquirido a um custo mais alto para não baixar os preços finais. A região é abastecida por barco, uma vez que não tem refinarias.


Esta decisão foi aplaudida pelo líder do PS no arquipélago, João Carlos Gouveia. A medida foi recebida com tranquilidade pelo secretá- rio-geral da Apetro (Associação das Empresas Petrolíferas). José Hor- ta reconheceu, em declarações ao DN, que o Executivo da Madei- ra tem legitimidade para adoptar o sistema de preços administrativos, que aliás também já está em vigor nos Açores.


Assim, a partir de hoje, dia em que o Rali Vinho da Madeira vai para a estrada, a gasolina sem chumbo 95 e do gasóleo cai 4 a 5 cêntimos/litro.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.