Défice de 600 milhões ameaça subir preço da luz

A eléctrica pagou mais 45% pelo combustível para produzir energia

O défice tarifário acumulado da EDP em Portugal atingiu os 600 milhões de euros por causa da crise dos combustíveis . Este valor cresceu 479 milhões de euros só no primeiro trimestre. O défice traduz a diferença entre os proveitos e as tarifas fixadas pelo regulador e o real custo da produção de energia, será repercutido nas tarifas eléctricas dos próximos anos.


O administrador financeiro da EDP, Nuno Alves, explicou ao DN que esta diferença terá que ser recuperada nas tarifas dos próximos anos até ao prazo máximo de 10 anos, sendo o período de recuperação definido pela ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos). Em 2006, o Governo impediu um aumento de 17% nas tarifas de electricidade provocado pela subida dos combustíveis usados na geração eléctrica.

A decisão de limitar o aumento dos preços a 6% em 2007 gerou um défice tarifário da mesma ordem de grandeza. Só com recurso às receitas extraordinárias resultantes do prolongamento da concessão das barragens à EDP foi possível impedir a forte subida da electricidade em 2008. O remanescente desta diferença será paga pelos consumidores em 10 anos.


O impacto no aumento das tarifas do próximo ano vai depender da evolução dos combustíveis, que no caso do petróleo tem descido nas últimas semanas. Mas para além do petróleo, que faz subir o gás natural, também o carvão, cujo preço duplicou está a pressionar as tarifas de electricidade. Face a esta situação, a ERSE sublinhou que há medidas no novo pacote regulatório para 2009/11 que visam travar a subida dos preços, designadamente através de maior eficiência energética e de um maior controlo dos custos nas redes de transporte de energia e da operação da REN.


A EDP Serviço Universal comprou electricidade para fornecer os clientes regulados a 74 euros por MW/hora no primeiro semestre, 23 euros ou 45%, acima do valor previsto pela ERSE para 2008 e que serviu para fixar os proveitos da EDP e as tarifas eléctricas.

Este desvio não tem impacto nos resultados da eléctrica uma vez que a empresa contabiliza o valor nos proveitos, mas implica o aumento da dívida, foi ontem explicado. O défice tarifário acumulado na electricidade supera os 900 milhões de euros e inclui uma fatia de 320 milhões de euros para Espanha, onde o desequilíbrio entre os custos e o preço é ainda maior, tendo crescido 150 milhões de euros este ano.

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