Crise dos combustíveis: Um risco para a economia mundial

Parecia imparável o preço do petróleo. Em poucos meses, o ouro negro pulverizou todos os recordes nos mercados internacionais para chegar aos 147 dólares por barril em Julho.

O aumento dos combustíveis foi o primeiro sintoma na economia real, mas o fenómeno rapidamente chegou aos transportes, aviação e até à geração de electricidade. A subida do petróleo combinada com a escalada do preço dos alimentos, movimentos também pressionados pela crise nos mercados financeiros que atraiu investidores e especuladores, elevou a inflação para níveis nunca antes alcançados na Zona Euro.


Em Portugal, o gasóleo foi o combustível mais penalizado e chegou a subir mais de 20 cêntimos desde o início do ano. As vendas de combustíveis acentuaram o movimento de queda, afectando o tráfego rodoviário. Os protestos chegaram em Maio. Primeiro, as petrolíferas foram acusadas de ganhar dinheiro com o aumento dos preços e a Autoridade da Concorrência foi chamada pelo Governo a investigar o mercado.


O relatório não foi conclusivo e como o Governo se recusou a baixar os impostos sobre os combustíveis, os protestos chegaram à rua. Primeiro foram os pescadores, depois os agricultores. Mas foram os transportadores de pesados que conseguiram em poucos dias quase paralisar o país, secando as bombas de gasolina e ameaçando os stocks dos supermercados. Um acordo, financiado em parte pelas concessionárias de auto-estradas, pôs fim ao bloqueio, mas o problema não desapareceu.


Só a partir de meados de Julho, com a mudança da conjuntura internacional, é que o petróleo inverteu a escalada. Desde então, reagindo à esperada baixa da procura mundial por causa de uma recessão, o petróleo esta a descer. Os combustíveis também, embora menos. Vamos ver até quando.

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