Companhias de aviação vão perder este ano 3,5 mil milhões

O sector da aviação vive uma crise sem precedentes e, se para a maioria das companhias 2008 é considerado o pior ano para a actividade aérea, a Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA) veio ontem avisar que as dificuldades vão continuar em 2009. A associação, que representa mais de 240 companhias aéreas, revelou que o sector vai encerrar 2008 com perdas superiores a 3,5 mil milhões de euros, valor que no próximo ano deverá ultrapassar os 2,9 mil milhões de euros (à taxa de câmbio actual).

A IATA, que reviu em baixa as suas perspectivas de crescimento, atribui as perdas futuras ao preço do petróleo e à redução da procura de bilhetes. Os cálculos foram feitos tendo por base um preço médio do barril de petróleo de 113 dólares, o que representa um aumento de 40 dólares face aos preços de 2007. Este agravamento fez com que os combustíveis representassem uma fatia de 36% dos custos operacionais das companhias.

Em Abril, a IATA esperava que o sector atingisse lucros de 2,9 mil milhões de euros, contra os 3,6 mil milhões em 2007, e que foram os primeiros desde 2000, de acordo com Giovanni Bisignani, director-geral da associação. Contudo, a quebra no tráfego em Julho de cerca de 1,9%, face a 2007, e o decréscimo na procura de bilhetes, levou a associação a rever em baixa as perspectivas do aumento de tráfego de passageiros para este ano, estimando-se agora um crescimento de apenas 3,2%.

As companhias aéreas vivem uma situação sem paralelo, sobretudo as americanas, que foram as mais atingidas. O Jornal da TAP, publicado em Agosto, dá conta que mais de uma dezena de companhias anunciaram despedimentos, que abrangem cerca de 33 mil trabalhadores.

A American Airlines anunciou o despedimento de 8500 trabalhadores, a United Airlines vai suprimir sete mil postos, a Delta quatro mil e a lista inclui a Alitalia e a Spanair, a primeira em falência e a segunda à beira de uma crise que pode levar ao seu de saparecimento. Dezoito companhias já anunciaram cortes de rotas e redução de voos. Só a United e a American Airlines vão cortar cerca de 140 aviões na sua frota.

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