Combustíveis em Portugal entre os que menos baixam

Com o petróleo a descer, cresce o número de vozes que em Portugal exigem a descida dos combustíveis . Ontem, foi a vez do ministro da Economia, Manuel Pinho, afirmar que "os preços dos combustíveis devem reflectir a redução das cotações do petróleo nos mercados internacionais".

Só que em vez de descer, os preços, pelo menos o da gasolina, até podem voltar a subir a curto prazo, alertam responsáveis do sector petrolífero. O fecho das refinarias do Sul dos EUA por causa do Furacão Ike levou a cotação internacional da gasolina a valorizar nos últimos dias quase 3%, ultrapassando a do gasóleo, disse ao DN, o secretário-geral da APETRO (Associação das Empresas Petrolíferas).

Mas se a evolução dos produtos refinados nos últimos dias está a contrariar a queda do petróleo, a verdade é que o mercado português ainda não reflectiu na totalidade a baixa das cotações internacionais do diesel e da gasolina verificada nos últimos meses.

Segundo dados recolhidos pelo DN junto de fontes da indústria, o índice Platt's, que é a principal referência dos preços na Europa, desceu em euros cerca de 10% na gasolina e 18% no gasóleo desde a primeira semana de Julho, quando foram batidos os recordes de cotação, e a segunda semana de Setembro. Neste período, os preços em Portugal sem impostos baixaram 7% na gasolina e 11% no gasóleo.

Quando comparamos o que acontece no mercado nacional com o resto da Europa, verificamos que as descidas em Portugal são das menores nos 27 países da União Europeia. O gasóleo foi o sexto que menos desceu. A gasolina foi a sétima. Ou seja, cerca de 20 países da UE reduziram mais os preços que Portugal. Estas contas reflectem o preço dos combustíveis sem impostos.

Por um lado para evitar a distorção que as diferentes cargas fiscais na Europa introduz nas variações percentuais. Por outro lado, porque este é o que traduz a política comercial das petrolíferas. Outra conclusão é a de que a posição portuguesa como um dos países que menos desce (ou que baixa mais devagar) os preços na Europa , piorou. Em Agosto, estávamos a meio tabela, na segunda semana de Setembro, estamos claramente na metade com menores quedas.

A valorização do dólar face ao euro e o facto das cotações internacionais do gasóleo e da gasolina não desceram na mesma proporção que o petróleo, foram os argumentos usados pelo presidente da Galp Energia. Numa visita à refinaria de Sines, na segunda-feira, Ferreira de Oliveira explicou aos jornalistas que a subida do dólar está a neutralizar a baixa do petróleo.

Mas feitas as contas em euros (à cotação do dia correspondente à do petróleo e dos produtos refinados), verificamos que o efeito cambial não chega para explicar a lenta reacção do mercado nacional. Já o facto das cotações dos produtos petrolíferos não baixarem tanto quanto o petróleo é uma realidade. Fazendo as contas em euros, o Brent desceu 22% entre Julho e Setembro. O gasóleo caiu 18% e a gasolina perdeu 10%. Ainda assim, caíram mais do que os preços no mercado português.

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