Combustíveis baixam mais devagar em Portugal

Gasolina e gasóleo baixaram 5 e 4 cêntimos em quatro semanas

O preço dos combustíveis está a baixar mais devagar em Portugal do que na maioria dos países da União Europeia a 15. Neste universo, que é utilizado pela Autoridade da Concorrência (Adc) nas suas análises ao mercado, Portugal foi o terceiro país que menos baixou o preço final do gasóleo. Na gasolina, os preços nacionais foram os quintos que menos desceram entre os 15 Estados membros.


A comparação aos preços médios semanais dos dois combustíveis , divulgados pela Direcção-Geral de Energia da Comissão Europeia, foi feita entre 14 de Julho e 4 de Agosto. Este período coincide com a desvalorização abrupta das cotações internacionais do petróleo, que, no caso do Brent, já caiu quase 30 dólares por barril desde o recorde dos 146 dólares (ver texto do lado).


No período analisado, e que ainda não inclui esta semana, em que as petrolíferas a operar em Portugal anunciaram novas baixas - cerca de 0,5 cêntimos na gasolina e 2,5 cêntimos no gasóleo -, a gasolina baixou em Portugal cerca de 5 cêntimos por litro. As variações verificadas na Europa a 15 oscilaram entre uma diminuição de nove cêntimos, na Alemanha, e um aumento de três cêntimos na Finlândia. A baixa da gasolina nacional ficou ainda aquém da média ponderada a Quinze, que desvalorizou mais de seis cêntimos por litro, e também da realizada em Espanha, onde este combustível caiu 6,5 cêntimos por litro.


No diesel, a comparação ainda é menos favorável: em Portugal, tinha caído, até à primeira semana de Agosto, quatro cêntimos por litro. Na Europa a 15, a média da descida foi ampliada em três cêntimos - ou seja, sete cêntimos. Em Espanha, este combustível desceu no mesmo período mais de seis cêntimos.
Estes países são os mais próximos de Portugal e também os que apresentam, em regra, mercados mais competitivos. Se analisarmos os dados relativos aos 27 membros da UE, a posição relativa de Portugal melhora para o meio da tabela das descidas na gasolina. Apesar disso, no gasóleo foi o oitavo que menos baixou e, nos dois combustíveis , registou descidas inferiores à média ponderada dos 27.


Mas se o mercado nacional não sai bem desta comparação, a verdade é que, quando analisamos o comportamento dos preços dos combustíveis em Portugal nos movimentos ascendentes, verificamos que há também uma maior lentidão ou moderação das petrolíferas nacionais a reagir às cotações internacionais, seja do petróleo seja dos produtos refinados. Com efeito, entre 5 de Maio e 16 de Junho - período em que se verificou uma valorização contínua do petróleo, menos ampla mas comparável à descida agora verificada - os combustíveis em Portugal estiveram sempre no topo dos que menos subiram: os segundos na gasolina e os terceiros no gasóleo.


A comparação com a média ponderada da União Europeia a Quinze é também favorável. Este comportamento dos preços em Portugal foi visível nos lucros semestrais da Galp Energia, que anunciou uma perda da ordem dos 50 milhões de euros por causa do time-lag (diferença temporal) entre a alta das matérias-primas e produtos refinados e o acréscimo do preço final.
A maior lentidão na reacção dos preços nacionais dos combustíveis tem sido, aliás, constantemente referida nas análises feitas pela Autoridade da Concorrência a este mercado. Mais difícil é, contudo, concluir se as variações de preços ocorridas em Portugal são maiores ou menores do que na Europa porque isso depende sempre do período analisado.

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