Prejuízos da TAP aproximam-se dos anos negros da década de 90

Factura dos combustíveis pode ascender a 750 milhões no final do ano

Os prejuízos regressaram à TAP. Os resultados apurados no primeiro semestre deste ano são os "piores dos últimos anos", refere a companhia num comunicado, onde dá conta de que as perdas ascenderam a 136 milhões de euros.

Um valor superior ao previsto pela companhia aérea, e que compara com prejuízos de 21 milhões de euros em igual período do ano passado, ou seja, as perdas multiplicaram-se seis vezes. Os resultados agravam ainda mais a má situação que a empresa atravessa com uma contestação social que já não se verificava desde a chegada de Fernando Pinto à TAP, em 2000.


No comunicado divulgado ontem, poucas horas antes do plenário dos trabalhadores, Fernando Pinto esclarece que o resultado "reflecte o brutal aumento do preço dos combustíveis ". Nos primeiros seis meses do ano, a TAP gastou 312 milhões de euros, mais 133 milhões que no período homólogo do ano passado, o que corresponde a um aumento de 75%.

Os gastos da TAP com combustíveis podem atingir no final do ano um desvio superior a 250 milhões de euros face ao orçamentado no início de 2008, que se situava em cerca de 500 milhões de euros, ou seja, a factura global pode fixar-se nos 750 milhões de euros.


Os prejuízos registados no primeiro semestre deste ano aproximam-se perigosamente dos resultados verificados na década de 90. Em 1993, a companhia registou um dos piores resultados - 181 milhões de euros negativos. No ano seguinte, continuava no vermelho, com 149 milhões negativos.

Em 2000, quando Fernando Pinto chegou, a empresa registava prejuízos de 120 milhões, um valor que continuou negativo no ano seguinte, mas que já evidenciava uma melhoria - 43 milhões negativos. No ano imediatamente a seguir, a TAP manteve perdas, mas de apenas seis milhões. A partir daí, a companhia embalou e em 2003 registou pela primeira vez, ao fim de muitos anos, lucros de 19 milhões de euros. Em 2004, os lucros caíram para 8,6 milhões, e em 2005 voltou a registar prejuízos de 9,9 milhões, como consequência do aumento dos combustíveis .


Em 2006, a companhia regressa de novo aos lucros, com 7,3 milhões de euros, valor que subiu para 32,8 milhões de euros no ano passado. Na altura, o presidente da TAP considerou como os melhores resultados de sempre. Agora, as previsões apontam para que no fim do ano a empresa registe prejuízos de 154 milhões.


No comunicado, a empresa salienta que "já estava previsto e orçamentado um aumento significativo do custo dos combustíveis , mas a subida vertiginosa que se verificou ultrapassou todas as expectativas, pois o seu preço duplicou em apenas sete meses, enquanto anteriormente demorava quatro anos a conhecer um aumento percentual semelhante".


O resultado operacional registou, este ano, um valor negativo de 105 milhões, contra 6,6 milhões, também negativos no primeiro semestre de 2007. A TAP refere que o desvio dos combustíveis "fez interromper a consolidação da recuperação da empresa".

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