A RÉDEA SOLTA DAS FINANÇAS ESPECULATIVAS

Há precisamente seis meses, quando o Bear Stearns foi comprado in extremis a dez dólares por acção, evitando assim a falência, muitos perguntaram-se quem seria o próximo banco norte-americano a entrar em colapso, por não ter capacidade para aguentar sucessivas perdas na casa dos milhares de milhões de dólares. Hoje, sabemo-lo, o próximo na calha é o banco de investimento Lehman Brothers, um banco com 158 anos, que já tinha passado por inúmeras crises cíclicas.

Desta vez, as Finanças federais traçaram uma linha no chão: recusaram ao longo de todo o fim-de-semana entrar com dinheiro público para evitar o inevitável. Quem achava que o secretário do Tesouro Dick Paulson estava a fazer um bluff desenganou-se no domingo à tarde.

Seguiu-se a compra-relâmpago do Merrill Lynch pelo Banco da América, um consórcio de instituições bancárias criou um fundo de garantia e os bancos centrais do euro e da libra abriram os cordões às respectivas bolsas q.b. para que o crédito na Europa não tenha uma súbita embolia.

Mas as perdas em bolsa são da casa de milhares de milhões de dólares e de euros. A confiança encolhe-se, ninguém se atreve a dizer que o pior já passou (contrariamente a certos gurus que nos garantiam, em Setembro de 2007, que um mês depois ninguém mais falaria da crise do subprime !...).

Quando passar a tormenta, a política confronta-se com a seguinte questão: aprendidas todas as lições desta crise de primeira grandeza, vão os governos permitir que um sistema financeiro-sombra, labirinto de produtos e riscos derivados até à enésima potência, volte a tomar os freios da regulação nos dentes?

Concorde-se, ou não, com a generalidade das medidas tomadas por este Governo de 2005 até hoje na educação, o que ninguém poderá dizer é que não há grandes mudanças em curso, visíveis, mensuráveis. A paixão gritada há mais de uma década deu o lugar ao investimento constante, anos a fim, nas escolas concretas, a partir da mais tenra idade em nome do amor à escola pública sem exclusões de ninguém.

Mas é justo assinalar que algumas das medidas mais emblemáticas da acção de Maria de Lurdes Rodrigues já tinham sido introduzidas em vários municípios do País por iniciativas de autarcas de invulgar visão.

Para esses, o desafio ao assumirem mais responsabilidades neste campo é, em simultâneo, o prolongamento da sua acção precursora e a consagração da sua aposta pioneira. E isso dá-se em câmaras municipais das mais diversas cores políticas.

Parece, assim, acertado encarar o processo de transferência de competências, responsabilidades e meios para as autarquias quanto à totalidade do ensino básico como algo que tem de ser assumido, caso a caso, passo a passo. Haverá quem não o consiga, mas há também quem possa ir mais longe.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG