Intervenção americana aplaudida mas pouco seguida por enquanto

O secretário do Tesouro, Henry Paulson, anunciou no domingo passado o plano de constituição de uma agência pública nos EUA, com fundos para gastar até 700 mil milhões de dólares (480 mil milhões de euros) na compra dos chamados "créditos tóxicos" dos bancos dos EUA, surgidos com a crise hipotecária naquele país. Paulson apelou aos outros países desenvolvidos para seguirem o exemplo dos EUA e tomarem medidas semelhantes para estancar a crise financeira internacional.

As respostas a esse apelo começaram a chegar ontem, diferindo consoante os países e as instituições internacionais. A China e o Japão saudaram a iniciativa norte-americana sem revelar o que considerariam necessário empreender nos seus países.

O Reino Unido, pela voz do primeiro-ministro Gordon Brown, em discurso ao congresso do Partido Trabalhista, em Manchester, anunciou um pacote de medidas internas a aplicar na City londrina: controlo apertado dos prémios de gestão "irresponsáveis"; regime de intervenção mais severa na City e reforço do sistema de regulação internacional mais forte dos mercados financeiros.

O Governo alemão preconiza uma resposta comum europeia, embora sublinhe não ser necessário na Alemanha tomar medidas do tipo das avançadas nos EUA. Nos últimos dias, tanto a chanceler da CDU como o ministro das Finanças, do SPD - parceiros na grande coligação de governo na Alemanha - têm lembrado que, antes de rebentar a bolha especulativa do subprime na América, tinham apelado ao G8 para controlar mais os fundos especulativos. E tinham esbarrado, em Junho de 2007, com a reticência dos países anglo- -saxónicos, que agora se viram à pressa para o tipo de soluções que a Alemanha então preconizava.

Os ministros da Economia e Finanças, bem como os governadores dos bancos centrais, do G7 (sem a participação da Rússia) realizaram ontem uma teleconferência para "examinar e manifestar o seu apoio ao plano americano".
O porta-voz da Comissão Europeia felicitou-se pela actuação pronta das autoridades dos EUA ao prevenir várias falências de consequências imprevisíveis, mas recusou co- mentar o plano de criação da agência estatal, por ainda estar a ser afinado no Congresso norte-americano.

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