Seguradoras pedem ajuda para ultrapassar a crise

As recentes quedas das bolsas - ontem Wall Street afundou mais 5% - e a deterioração do mercado de dívida estão a penalizar as carteiras das seguradoras. Entretanto, os responsáveis políticos multiplicam os apelos à calma.

As bolsas já caíram entre 30% e 40% desde o início do ano. O mercado obrigacionista está a sofrer uma forte deterioração no valor dos títulos. Factores que estão a penalizar as carteiras de investimento não só da banca, mas também do sector segurador. Como tal, as seguradoras estão a procurar soluções para contornar o efeito que a crise financeira está a ter nas suas contas.

Segundo apurou o DN, algumas seguradoras portuguesas já pediram ao regulador Instituto de Seguros de Portugal (ISP) uma maior flexibilização das regras contabilísticas instituídas recentemente, e que obrigam as empresas a reflectir de imediato nas suas contas o impacto das menos-valias sofridas nos investimentos.

O objectivo é um deferimento desse impacto enquanto persistirem as dificuldades em negociar nestes mercados, especialmente, no caso das obrigações, a grande fatia das carteiras.

Contactado pelo DN, o ISP não confirmou esta informação até ao fecho desta edição. Recorde-se que, em plena crise provocada pelo rebentamento da bolha especulativa das dotcom, em 2001, as seguradoras pediram, com sucesso, ao regulador uma prorrogação do prazo para reflectirem nas contas as perdas resultantes da forte correcção dos activos.

Uma decisão tomada em sintonia com as autoridades da União Europeia e enquadrada numa legislação cuja natureza era mais flexível. Na presente crise, à luz das maiores exigências de transparência entretanto implementadas na legislação, qualquer decisão nesse sentido terá de ter origem em Bruxelas, onde já chegaram pressões nesse sentido.

Outra das opções das seguradoras passa por um reforço de capitais pelos seus accionistas. A maior parte das seguradoras em Portugal estão integradas em grupos bancários. De acordo com o relatório anual do ISP de 2007, a fatia das acções no sector segurador representa apenas 5% do total dos investimentos. Já as obrigações e papel comercial têm um peso de 55%.

Embora a generalidade dos activos de dívida tenha classificações (ratings) que oferecem alguma segurança, a verdade é que as ondas de choque provocadas pela crise do crédito hipotecário nos EUA ( subprime ) deterioraram, nalguns casos em 30%, o valor desses activos. Já os produtos estruturados com risco de crédito - os mais afectados - pesam apenas 2% das aplicações financeiras. Com A.S.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Legalização do lobbying

No dia 7 de junho foi aprovada, na Assembleia da República, a legalização do lobbying. Esta regulamentação possibilitará a participação dos cidadãos e das empresas nos processos de formação das decisões públicas, algo fundamental num Estado de direito democrático. Além dos efeitos práticos que terá o controlo desta atividade, a aprovação desta lei traz uma mensagem muito importante para a sociedade: a de que também a classe política está empenhada em aumentar a transparência e em restaurar a confiança dos cidadãos no poder político.

Premium

Viriato Soromenho Marques

Erros de um sonhador

Não é um espetáculo bonito ver Vítor Constâncio contagiado pela amnésia que tem vitimado quase todos os responsáveis da banca portuguesa, chamados a prestar declarações no Parlamento. Contudo, parece-me injusto remeter aquele que foi governador do Banco de Portugal (BdP) nos anos críticos de 2000-2010 para o estatuto de cúmplice de Berardo e instrumento da maior teia de corrupção da história portuguesa, que a justiça tenta, arduamente, deslindar.

Premium

João Taborda da Gama

Por que não votam os açorianos?

Nesta semana, os portugueses, a ciência política em geral, e até o mundo no global, foram presenteados com duas ideias revolucionárias. A primeira, da lavra de Rui Rio, foi a de que o número de deputados do Parlamento fosse móvel tendo em conta os votos brancos e nulos. Mais brancos e nulos, menos deputados, uma versão estica-encolhe do método de Hondt. É a mesma ideia dos lugares vazios para brancos e nulos, que alguns populistas defendem para a abstenção. Mas são lugares vazios na mesma, medida em que, vingando a ideia, havia menos pessoas na sala, a não ser que se fizesse no hemiciclo o que se está a fazer com as cadeiras dos comboios da ponte, ou então que nestes anos com mais brancos e nulos, portanto menos deputados, se passasse a reunir na sala do Senado, que é mais pequenina, mais maneirinha. A ideia é absurda. Mas a esquerda não quis ficar para trás neste concurso de ideias eleitorais e, pela voz do presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, chega-nos a ideia de incentivar votos com dinheiro.