Mercados 'assustam' opositores do plano

O plano para salvar as instituições financeiras dos efeitos nocivos dos "activos tóxicos" gerados pelas falências no crédito hipotecário de alto risco ( subprime ) deverá ser mesmo aprovado. E, muito provavelmente, até ao final desta semana. Esta convicção foi manifestada, ontem, pelo líder dos republicanos na Câmara dos Representantes, onde o plano Bush foi chumbado na segunda-feira. O que mudou em apenas 24 horas? O pânico que levou Wall Street ao pior dia desde o crash de 1987.

"A mensagem dos mercados ontem [anteontem] foi muito clara", esclareceu Mitch McConnell, líder do grupo de representantes que mais se opôs ao plano (dois terços dos republicanos votaram contra). Na sessão de segunda-feira, "desapareceram" 1,1 triliões de dólares (780 mil milhões de euros).

Uma "factura" passada directamente nas poupanças de milhões de norte-americanos, desde reformados, consumidores, estudantes universitários e empresas. Um efeito que levou McConnell a afirmar que "nós iremos resolver a situação esta semana. Esperemos que isso garanta aos norte-americanos que o Congresso está à altura da ocasião, agirá como adultos e resolverá o problema das pessoas". O presidente George W. Bush voltou, ontem, a frisar que "estamos num momento crítico da nossa economia. O Congresso tem de actuar".

O impacto que a queda das bolsas de Nova Iorque teve na opinião pública norte-americana fez com que muitos constituintes tivessem mudado de opinião e pedido aos seus representantes para votarem a favor do plano.

Um dos representantes republicanos que votou contra as medidas propostas pela Administração Bush, Joe Barton, revelou que as chamadas que recebeu de forma esmagadora contra o plano, transformaram-se num apoio maioritário a favor da proposta. Tudo devido ao susto que a queda das bolsas provocou. Ontem, os mercados voltaram às subidas, com os investidores esperançosos numa aprovação.

O Congresso esteve ontem encerrado devido ao feriado judeu de Ano Novo. Hoje, as negociações deverão continuar. O plano terá alterações: o papel de supervisão da sua aplicação será alargado e os montantes das contas a cobrir por seguros sobe de 100 para 250 mil dólares.

No entanto, o factor-chave para o sucesso de comprar, com dinheiro dos contribuintes, activos danosos gerados por más decisões de investimento, é o preço da sua aquisição. É este ponto que viabilizará o potencial retorno dos 700 mil milhões de dólares aos cofres do Estado.

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