FBI sem meios para punir fraudes em Wall Street

As equipas do Federal Bureau of Investigation (FBI), dedicadas a casos de fraude financeira ou hipotecária, perderam 625 agentes (36% do total) desde 2001. Os processos criminais desceram 26% para 8187 durante os últimos sete anos. E as acusações por fraude financeira, fraude nos seguros e fraude com valores mobiliários recuaram 48%, 75% e 17%, respectivamente, entre 2000 e 2007.

Números oficiais publicados ontem pelo The New York Times, que ganham maior relevância no actual contexto de crise económica provocada pelo colapso de instituições financeiras, devido a apostas de risco no crédito hipotecário.

A razão para este decréscimo no combate ao crime de "colarinho branco" - extensível ao crime violento e ao tráfico de drogas - é o aumento do investimento nos programas relacionados com o terrorismo.

Segundo o mesmo diário dos EUA, o departamento do FBI dedicado às questões de segurança nacional recebeu, desde os atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001, mais de 1800 agentes, cerca de um terço do total. Equipas que passaram a dedicar-se a programas de contra-terrorismo, prevenção, recolha de dados e assuntos criminais.

Desde 2004 que o FBI tinha vindo a alertar para a ameaça que a fraude hipotecária representava para o sistema financeiro, tendo pedido regularmente à Administração Bush mais dinheiro e recursos humanos. Mas a Casa Branca recusou sempre esses pedidos.

"Sentimos claramente os efeitos de alocar recursos das investigações criminais nos programas de segurança nacional", explicou ao NY Times, John Miller, subdirector do FBI, acrescentando que "no crime de 'colarinho branco' (...) concentrámo-nos nas fraudes multimilionárias, onde podíamos fazer detenções e recuperar o dinheiro das vítimas".

O FBI está a investigar os problemas que levaram à falência do Lehman Brothers e ao quase colapso da American International Group, Fannie Mae e Freddie Mac. Isto, para além de mais de 1500 inquéritos no âmbito das falências no mercado de crédito hipotecário de alto risco ( subprime ).

Embora fosse difícil impedir estas falências, alguns responsáveis políticos admitem que uma reacção rápida no início da crise podia ter evitado o colapso do sistema financeiro nacional.

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