Depósitos dispararam no Verão

Poupança. Em paralelo com a 'fuga' dos fundos de investimento, registou-se uma aceleração da aposta em depósitos bancários. Mais um sinal de que a crise moldou o aforro nacional

A crise financeira que marcou o Verão provocou uma alteração significativa na poupança dos portugueses. A fuga dos fundos de investimento já era conhecida e até está quantificada: perto de três mil milhões de euros saíram deste mercado. A dúvida era sobre o destino deste dinheiro. Os dados mais recentes do Banco de Portugal confirmam aquilo que já muitos especialistas tinham adiantado: entre Maio e Setembro entraram nos depósitos a prazo 3739 milhões de euros, uma ace - leração face ao tradicional crescimento deste produto nesta época.

Segundo o Boletim Estatístico de Novembro do Banco de Portugal, publicado na última quinta-feira, o saldo de depósitos de particulares no final de Setembro era de 96 399 milhões de euros. Um número que representa um crescimento de 4% face ao final de Maio (ver gráfico), equivalente a 3 739 milhões de euros. Esta evolução ganha maior relevo por duas razões: porque representa uma aceleração comparativamente ao crescimento de 2366 milhões do mesmo período do ano anterior (um crescimento que está tradicionalmente relacionado com os depósitos feitos pelos emigrantes no Verão); e porque coincide com a "fuga" dos fundos de investimento por parte dos investidores preocupados com a crise financeira provocada pelos problemas no crédito hipotecário de alto risco nos EUA ( subprime ).

Entre Maio e Setembro, saíram dos fundos de investimento quase dois mil milhões de euros. Uma tendência que continuou em Outubro, quando este mercado perdeu mais 700 milhões.

Refira-se que mais de metade dos 96 399 milhões aplicados em depósitos está concentrado em prazos curtos, normalmente inferiores a um ano. E, também aqui, a aceleração foi mais vincada durante o Verão. Um reflexo da aposta dos bancos em travar a saída dos clientes assustados com os problemas nos mercados financeiros. E que se traduziu na criação de depósitos de muito curto prazo com taxas atractivas, nalguns casos perto dos 10%.

Os especialistas contactados pelo DN explicaram que os próprios bancos precisaram de canalizar capitais para os depósitos, como solução para tornar o financiamento dos bancos mais protegido das oscilações dos mercados. Apesar desta alteração é relativamente consensual no sector financeiro que se trata de uma transformação provisória, devendo os produtos de investimento recuperar a sua atractividade assim que a crise estiver ultrapassada.

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