Bolsas regressam a 1931

A crise que teve início no localizado sector de crédito hipotecário de alto risco ( subprime ) nos EUA está a ter uma factura histórica nos mercados bolsistas mundiais. O PSI-20, barómetro da Bolsa de Lisboa, está a caminho do pior ano desde a sua criação em 1993, com uma desvalorização superior a 50%.

O mesmo acon- tece com o Standard & Poor's 500 (S&P 500), o índice norte-americano que agrega o maior número de empresas cotadas nos EUA.
No caso da índice norte-americano, a queda superior a 50% projectada para 2008 só tem paralelo no ano de 1931 (ver gráfico), em plena Grande Depressão da maior economia mundial e na ressaca da "Quinta-Feira Negra", sessão em que a Bolsa de Nova Iorque caiu a pique em Outubro de 1929.

A natureza da actual crise bolsista reparte-se por dois factores. Por um lado, o "congelamento" do crédito no sector interbancário, devido ao receio provocado pelas "ondas de choque" resultantes do subprime . É que a exposição a este problemático segmento de crédito gerou danos irreparáveis nos balanços dos grandes bancos mundiais, criando um "buraco" difícil de "tapar". E que só foi controlado com a intervenção do Estado em várias economias nacionais.

Embora o crédito continue relativamente estagnado, o pânico desvaneceu-se. Apenas para dar lugar às expectativas negativas sobre o impacto dessa crise de crédito na actividade económica, uma vez que empresas e famílias viram a sua vida mais difícil devido ao bloqueio do acesso a crédito.

Nesta conjugação de factores, os investidores "fugiram" das acções, em buca de refúgio noutros mercados. O resultado é o tal pior ano das bolsas mundiais dos últimos quase 80 anos.

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.