Bancos nacionais vulneráveis ao aperto no crédito

As principais instituições financeiras portuguesas estão pouco expostas, de forma directa, aos efeitos das falências no subprime, que já obrigaram à intervenção estatal em vários bancos. O maior risco para Portugal é o 'congelamento' do financiamento de crédito. Para os consumidores é mais difícil e caro obter crédito.

O chumbo do plano Bush agravará, na banca portuguesa, os efeitos que se têm vindo a sentir nos últimos meses. Se, por um lado, os cinco maiores bancos nacionais - CGD, BCP, BPI, BES e Santander Totta - não estão expostos de forma directa às falências no crédito hipotecário de alto risco nos EUA ( subprime ), por outro, estão entre as instituições financeiras mais dependentes do mercado de crédito interbancário. O qual, neste momento, está praticamente "congelado", perante a fortíssima resistência dos bancos a emprestar entre si. E para o consumidor o crédito é mais difícil e mais caro.

"O problema para os bancos portugueses é o de todos os outros bancos europeus: o mercado de financiamento está fechado e os bancos precisam de refinanciarem a dívida", explicou ao DN Antonio Ramires, analista de banca da casa de investimento londrina Keefe Bruyette & Woods.

Este perito reconhece que os bancos portugueses estão relativamente protegidos face à deterioração dos activos "tóxicos" nos seus balanços e carteiras de investimento. Isto porque, ao contrário de outros bancos europeus, não apostaram significativamente nesses activos. É, aliás, essa exposição que está a provocar a intervenção directa em vários bancos europeus.

Contudo, "os bancos portugueses tem uma maior dependência dos mercados de dívida a grosso, já que são o veículo preferencial do elevado endividamento da economia portuguesa", acrescenta Antonio Ramires. Como consequência, se o mercado interbancário continuar parado, os bancos vão sentir adicionalmente esse efeito. E, numa segunda fase, "terá um impacto muito negativo na actividade económica".

Por enquanto, os bancos têm vindo a conceder cada vez menos empréstimos aos clientes, particulares ou empresas. E a oferecer maiores remunerações nos depósitos a prazo aos seus clientes, uma das poucas vias de financiamento que estão disponíveis. Entretanto, para tentar estimular a actividade no referido mercado interbancário europeu, o Banco Central Europeu (BCE) injectou ontem mais 120 mil milhões de euros.

Já o banco Fortis, salvo no fim-de-semana pelos governos do Benelux, referiu ontem à Lusa que a sua parceria com o BCP "não será afectada ou tocada", recusando, assim, cenários de venda da posição maioritária no Millennium Fortis.

120

é o montante da nova injecção de liquidez pelo BCE no mercado interbancário
mil milhões de euros

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG