Bancos centrais injectam 300 mil milhões

Os bancos centrais dos EUA, Europa e Ásia estão a tentar acalmar o pânico dentro das instituições financeiras mundiais, injectando liquidez no mercado monetário para ajudar a cobrir potenciais perdas geradas pelo "efeito dominó" da falência do Lehman Brothers. Um pânico que se foi reforçando, ao longo do dia de ontem, pela perspectiva de insolvência da gigante seguradora American International Group (AIG).

No conjunto dos últimos dois dias, os bancos centrais dos EUA, Zona Euro, Reino Unido e Japão, injectaram um total de 300 mil milhões de dólares (212 mil milhões de euros). Só o Banco Central Europeu (BCE) injectou 100 mil milhões de euros. A Reserva Federal (Fed) foi responsável por colocar no mercado 120 mil milhões de dólares (85 mil milhões de euros), o montante mais elevado desde os atentados de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque.

Esta foi a forma mais directa de os bancos centrais procurarem contrariar a forte resistência dos bancos em emprestar dinheiro entre si. As taxas Euribor renovaram máximos desde 2000 (ver texto em cima). Mas o barómetro mais dramático do aumento da cautela no sector financeiro foi a taxa overnight do dólar, que praticamente duplicou para os 6,44%, o maior salto diário de sempre. O mesmo aconteceu com a Libor, a taxa interbancária de Londres, passou de 3,10% para 6,43%, o seu valor mais alto desde Janeiro de 2001.

Desde que se iniciou a crise provocada pelos problemas do crédito hipotecário de alto risco nos EUA ( subprime ), os bancos já sofreram perdas totais de 514 mil milhões de dólares, provocadas pela deterioração de activos relacionados, directa ou indirectamente, com a crise hipotecária. O medo de que este valor cresça nas próximas semanas - na sequência de novas falências no sector - está a "congelar" o mercado interbancário, com os bancos a não quererem desfazer-se do dinheiro que têm nos balanços. As injecções dos bancos centrais procuram saciar essa "sede" por cash (liquidez).

Um sintoma dessa "sede" foi o facto de, para a oferta parcial de 70 mil milhões de euros feita ontem pelo BCE, a procura dos bancos ter chegado aos 100 mil milhões.

"Os balanços dos bancos estão muito danificados e, como tal, a necessidade de dinheiro é muito, muito elevada", explicou um analista do Barclays Capital, citado pela Bloomberg, acrescentando que "estes são tempos extraordinários".

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