ONTEM INICIOU-SE A PACIFICAÇÃO NO BCP

Se não há desonra em perder uma disputa eleitoral, já pode havê-la quando são postos em causa princípios fundamentais do funcionamento democrático das instituições. O lançamento da candidatura encabeçada por Miguel Cadilhe estribou-se nestes princípios: as actuações do Governo e do governador do Banco de Portugal seriam de tal forma censuráveis que essa candidatura declarou ter-se formado em nome do direito à indignação.

Contados os votos dos accionistas presentes, representando mais de 71% do capital total do BCP , em cada 100, Carlos Santos Ferreira obtém 98 e Miguel Cadilhe fica-se por 2. Perante tão esmagadora derrota, cabe perguntar: quais os princípios que poderão, nas palavras do derrotado, ter saído vitoriosos? A indignação de Cadilhe parece não ter perturbado o sono da generalidade dos accionistas do BCP , nem os ter contagiado com o sentimento de terem sido vítimas de manipulação insidiosa.

A quase unanimidade do voto accionista contra o fogo de barragem lançado contra a lista de Santos Ferreira - sobretudo pelo centro-direita - simboliza uma forte vontade de pacificação entre os donos do banco e de apoio à nova liderança.

O novo chefe executivo do BCP não poderia pedir mais. Agora, é preciso construir de novo e esperar calmamente que as autoridades de supervisão façam, também elas, o seu trabalho bem feito. Porque esta escolha representa também um voto de confiança em Vítor Constâncio. O melhor recomeço.

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