Jardim procura influenciar escolha da nova equipa de gestão

Pinhal avança com ou sem apoio de Jardim? É o que se saberá terça-feira

Jardim Gonçalves joga, na próxima terça-feira, uma nova cartada na definição do futuro do Banco Comercial Português (BCP). O fundador da instituição deverá anunciar se apoia ou não a eleição de um novo conselho de administração, presidido por Filipe Pinhal, que irá ser sujeito à votação dos accionistas, numa assembleia geral (AG) a realizar já em Janeiro. Há quem garanta - entre estes está João Rendeiro, accionista do BCP, com 2,5% - que Jardim deverá jogar com a sua demissão em troca da capacidade de influenciar a definição de uma administração coesa. Apesar de várias as fontes falarem na possível demissão, fonte próxima de Jardim já desmentiu essa intenção.

A reunião do próximo dia 4 do órgão a que Jardim preside, o Conselho Geral e de Supervisão (CGS), é aguar dada com expectativa, uma vez que se espera que o fundador dê indicações sobre quem deverá presidir e integrar o conselho de administração, eleito de forma antecipada.

Nestes últimos dias e até terça-feira, accionistas, administradores e o próprio Jardim Gonçalves desdobram-se em contactos, com vista a encontrar o "máximo denominador comum" na escolha dos nomes que integrarão a lista do futuro conselho de administração, a ser votada na AG de Janeiro. Isto porque todos parecem querer evitar o surgimento de uma segunda lista, que poderia inviabilizar uma aprovação, por maioria.

Filipe Pinhal é, até agora, o nome mais provável para presidir ao BCP nos próximos três anos. No entanto, as relações entre o actual presidente do banco e Jardim Gonçalves já conheceram melhores dias. Como referia uma fonte contactada pelo DN, prova desse afastamento foi o fracasso da fusão com o BPI, face à intransigência do BCP nas negociações.

Esta divisão entre os dois homens fortes do BCP está espelhada nos apoios que recebem dos accionistas.

Jardim tem do seu lado a Eureko, com 7% do capital, e os espanhóis do Sabadell, com uma posição de 4%. Pinhal conta com a Teixeira Duarte (6%) e a Sonangol (5%), nas negociações que ambos travam. Mas estes são apenas os apoios à partida, com vários accionistas a remeterem-se ao silêncio quanto ao seu apoio, até à AG. Recorde-se que nas AG do Verão passado Jardim conseguiu mobilizar à sua volta a maioria dos votos.

Não é ainda de descartar a possibilidade de surgir o nome de uma figura externa para presidir. Resta saber quem está disposto a aceitar liderar um conselho que poderá manter parte da actual equipa.

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