Jardim deixa cargos mas recusa saída

Jardim Gonçalves confirmou ontem a sua saída da presidência dos dois órgãos sociais do BCP.

"Não exercerei funções sociais no banco, mas não saio." Jardim Gonçalves , que ontem renunciou ao cargo de presidente do conselho geral e de supervisão (CGS) e do conselho superior (CS) responde assim aos jornalistas, em conferência de imprensa, sobre a forma como deixa o Banco Comercial Português (BCP). Ou seja, o fundador histórico do maior banco privado português não pretende que esta renúncia seja encarada como uma saída "pela porta baixa", ao fim de 22 anos à frente da instituição que ajudou a criar. Jardim explica que não sai porque continua a "ser accionista, cliente e um atento seguidor" do futuro banco. Mas, a sua influência na condução do futuro do banco terminou.

"É tempo de pôr fim à incerteza e marcar um rumo bem definido" para o BCP, referiu o fundador, no seu discurso de renúncia. É em nome de uma "clarificação", que Jardim explica este seu abandono. Para que "se manifestem e revelem os diversos projectos, sem reservas quanto à sua verdadeira natureza ou propósito e sem inibição ou constrangimento", refere ainda.

Jardim Gonçalves começou por enaltecer a importância do BCP para o sistema financeiro português, acabando por referir que apesar das suas expectativas de "se poderem gerar condições de coesão no seio do conselho de administração executivo, o que não se revelou possível", acredita na liderança dos seus órgãos sociais e na competência dos seus colaboradores.

Foi, pois, com um discurso de apelos a clarificação e palavras de gratidão que o fundador se despediu. Num momento em que não usufruiu de todo o protagonismo para si, uma vez que Filipe Pinhal, esteve presente, juntamente com mais quatro elementos da lista que vai levar à assembleia geral (AG) já convocada junto do presidente da mesa e que deverá ocorrer em Janeiro.

O actual presidente executivo do BCP apresentou a sua lista, explicando que ela visa dar três tipos de sinais: de continuidade, ao manter dois membros do anterior conselho, para que os clientes não percam referências; em segundo lugar, dizer ao País que o BCP tem capacidade de gerar novas competências, ao promover três directores a administradores; e por último, um sinal de abertura, ao indicar dois nomes externos à instituição (ver texto na página seguinte). Filipe Pinhal explicou ainda que, na formação desta lista, não sofreu qualquer tipo de "pressão ou de ins- piração". Mas acrescenta que fez um "exercício solitário" de interpretação da vontade dos accionistas.

Questinados quanto às recentes notícias sobre um perdão de créditos de 28 milhões de euros a um accionista próximo de Jardim , tanto o fundador como Filipe Pinhal se escusaram a falar sobre o assunto, referindo que já o fizeram junto das autoridades de supervisão , ou seja o Banco de Portugal e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Quanto à hipótese de se discutir de novo uma fusão com o BPI, Filipe Pinhal esclarece que não tem "desejos pessoais de fusão com o BPI ou qualquer instituição". Referiu que, ao longo de oito anos, três sucessivas administrações do BCP viram numa eventual operação de concentração um factor gerador de valor. E rematou: "O potencial continua lá e um dia alguém há-de explorá-lo."

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