Futuro do BCP joga-se em nova assembleia

Nova administração. Accionistas do BCP vão escolher uma nova gestão para o banco, numa assembleia geral a realizar em Janeiro.

Os accionistas do BCP, afastada a fusão com o Banco BPI, deverão ser chamados, já em Janeiro, a escolher uma nova administração para o banco. A reunião estava marcada para Março.

As "guerras" do Verão passado, com os apoiantes do ex-presidente Paulo Teixeira Pinto e os partidários de Jardim Gonçalves a tentar fazer passar, em três fracassadas assembleias gerais, um novo modelo de governação para o banco serviram de lição. Nem accionistas nem administradores deverão ir tão longe desta vez e a assembleia geral (AG) que se pretende convocar para Janeiro deverá apenas procurar o consenso dos accionistas na escolha da administração, de acordo com a opinião dominante das fontes contactadas pelo DN.

No entanto, há quem não exclua a possibilidade de se avançar com propostas visando a alteração de estatutos do BCP, para criar um novo modelo de governação. "Tudo depende de onde vier a convocação da assembleia. Se for da própria administração, então só deverão propor a eleição de uma nova gestão. Se vier de um grupo de accionistas, poder-se-á esperar uma proposta de alteração de estatutos", disse uma fonte ao DN. A eleição de uma nova administração em AG exige apenas uma maioria simples. Por outro lado, fonte da administração disse ao DN que a convocatória de uma AG para Janeiro não é a melhor solução, uma vez que em Março teria de se realizar outra reunião para aprovação de contas.

A próxima semana deverá ser decisiva. O Conselho Geral e de Supervisão (CGS) do BCP, presidido por Jardim Gonçalves , reúne-se dia 4 de Dezembro e as indicações que daqui saírem serão importantes. Será que o fundador vai deixar que a administração ou os accionistas do banco avancem com listas de nomes para um conselho de administração para os próximos três anos (o actual mandato termina no final do ano), ou levará o CGS a tomar a iniciativa?

Este ponto poderá ser importante para decidir a posição de voto de muitos accionistas. Neste momento, nomes como Joe Berardo, Moniz da Maia e Manuel Fino já se posicionam para avançar com uma lista para votação, nunca apoiando uma proposta de Jardim .

Jardim fica ou sai?

Resta igualmente saber se o fundador do banco contará com os apoios de accionistas como a Eureko, EDP, BPI, Sonangol ou até mesmo o BPI na definição da futura gestão. Fontes contactadas excluem a possibilidade de Jardim abandonar a presidência do CGS antes de se definir o futuro do banco.

João Rendeiro garantia ontem, em declarações à SIC, que Jardim sairá na próxima assembleia. "Tenho indicações relativamente seguras de que [ Jardim Gonçalves ] apresentará o seu pedido de demissão na próxima reunião", afirmou o presidente do BPP, que detém 2,5% do BCP. "Já o devia ter feito há muito tempo", concluiu. Mas fonte próxima do banqueiro desmente a intenção de sair.

Boa parte dos accionistas ainda vai esperar pela próxima semana, antes de começar a dar indicações sobre como votar numa AG. Como referiu ao DN João Pereira Coutinho, "ainda não houve tempo para falar". Mas, acrescenta, o banco "tem de ter um projecto onde os accionistas se revejam".

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