Filipe Pinhal aponta dedo a accionistas na crise do BCP

Uma conquista de poder por parte de um grupo de accionistas. Foi desta forma que Filipe Pinhal, ex-presidente do Banco Comercial Português ( BCP ) caracterizou os acontecimentos do passado mês de Dezembro, em torno do maior banco privado português, na sua audição parlamentar perante a Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças.

Escudado no dever de segredo a que continua obrigado e no facto de estarem a decorrer investigações, Filipe Pinhal deu poucas explicações aos deputados, que muito perguntaram sobre as sociedades offshore e as reuniões com o Banco de Portugal, entre outros assuntos.

Sobre a questão das alegadas irregularidades com empresas sediadas em paraísos fiscais que compraram acções do banco, o ex-banqueiro disse não ter conhecimento, porque na altura não liderava o BCP . "Só fui presidente entre 31 de Agosto de 2007 e 15 de Janeiro último", especificou.

Filipe Pinhal classificou de "legítima" a intenção de "um grupo de accionistas nacionais do BCP " querer tomar o poder no banco, tendo mantido reuniões em plena época natalícia, quando os accionistas estrangeiros de referência estavam ausentes. "Foi contra os meus interesses particulares, os meus projectos", adiantou, "mas não foi ilegítimo".

Este movimento de accionistas - que apresentou uma lista concorrente à presidência do banco, liderada por Carlos Santos Ferreira - não foi apoiado pelas autoridades de supervisão, afirmou ainda.

As conversas mantidas com os órgãos de supervisão, nomeadamente o governador do Banco de Portugal, não foram divulgadas, tendo Filipe Pinhal confirmado as declarações de Vítor Constâncio na mesma comissão parlamentar sobre os avisos feitos na reunião mantida com este gestor.

"O senhor governador apenas fez uma chamada de atenção para o facto de dois elementos ( Filipe Pinhal e Christopher de Beck) da lista que propus para o conselho de administração poderem vir a ser atingidos" pelas averiguações em curso. Foi este facto que levou Filipe Pinhal a retirar a sua candidatura à presidência do BCP . E pouco mais disse o ex-presidente do banco, além de confirmar datas de reuniões decorridas.

Perante uma questão do deputado Agostinho Lopes, do PCP, sobre a ida de Santos Ferreira da CGD para o BCP e os problemas éticos que tal poderá levantar, Filipe Pinhal lembrou que, em 1985, também ele trocou a CGD pelo BCP .

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