Crise do BCP vai custar 1,3 mil milhões a accionistas

Santos Ferreira fez a sua estreia mediática e anunciou o que já todos esperavam, um aumento de capital. No entanto, surpreendeu pela sua dimensão. O banco decidiu ainda não pagar o restante dividendo de 2007 e ajustar as contas para acautelar perdas possíveis de 300 milhões.

Santos Ferreira, o novo presidente do Banco Comercial Português ( BCP ), anunciou ontem um aumento de capital de 1,3 mil milhões de euros, que só surpreendeu pela sua dimensão. A par desta medida, o BCP suspendeu a distribuição de 90 milhões de euros de dividendos de 2007, depois de ter pago uma primeira tranche intercalar de 133 milhões de euros. O pagamento de dividendos será retomado em 2008.

Estas foram as duas "soluções" escolhidas de entre várias analisadas, para "responder ao desafio da solvência", nas palavras do presidente do BCP , durante a apresentação de resultados referentes a 2007. Ou seja, repôr os rácios de capital, nomeadamente o Core Tier I, referente aos capitais próprios, que no fim do ano ficou nos 4,3% e em Março deste ano será de 4%, abaixo dos 5% recomendados pelo Banco de Portugal.

A nova administração do BCP decidiu ainda proceder a um ajustamento às contas do banco, corrigindo a sua situação líquida em 300 milhões de euros, (212 milhões de euros líquidos) para fazer face a eventuais perdas devido a possíveis contra-ordenações resultantes das averiguações em curso, com efeitos a 1 de Janeiro de 2006. "O banco não foi ainda notificado de nada", fez questão em salientar o banqueiro, que revelou ter sido convocado para prestar declarações no DIAP.

Esta correcção às contas vai ser averiguada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), uma vez que o anterior presidente do BCP , Filipe Pinhal, informou o mercado a 23 de Dezembro último, de que todas as perdas já estavam reflectidas nas contas. Segundo fonte da CMVM contactada pelo DN, irá ser analisado se o ajustamento agora anunciado é compatível com a informação prestada anteriormente.

Santos Ferreira fez questão em salientar que a decisão de corrigir a situação líquida do banco ocorreu após "trocas de impressões e diálogos com as autoridades".

Num estilo descontraído e bem-disposto, o novo presidente do BCP explicou que o aumento de capital de 1,3 mil milhões tem dois objectivos: "repôr os rácios de solvência e e a permitir a expansão de actividade do BCP ". No entanto, não adiantou qual a parte destinada à reposição dos rácios e à expansão da actividade.

Aprovado por unanimidade pelos três órgãos sociais do BCP - conselho de administração executivo, conselho geral e de supervisão e conselho superior, onde está representado 40% do capital - o aumento de capital está já tomado firme por dois grandes bancos internacionais, o Merrill Lynch e o Morgan Stanley. O seu presidente admite um desconto de 10 a 20% sobre a cotação.
"Estamos convencidos que isto convence o mercado", afirmou Santos Ferreira, adiantando que não irá fazer novo aumento de capital e não conta com "mais surpresas".

A venda de activos foi uma das soluções ponderadas pela administração, mas Santos Ferreira explica que foi abandonada porque "alienar activos sob pressão significa uma desvalorização".

O banqueiro revelou ainda que a expansão do banco ocorrerá essencialmente no mercado externo, com 20% das novas agências a serem abertas em Portugal. No que respeita ao programa Millennium 2010, 2007 resultou no atraso de um ano no cumprimento das metas, definindo objectivo de superar os mil milhões de euros de lucros em 2010.

O presidente do BCP anunciou que antes da próxima assembleia geral ficará definida uma metodologia para actuar no caso dos pequenos accionistas do BCP , lesados com a compra de acções através do recurso ao crédito.

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