BCP usou 'offshores' para esconder ilicitudes

O ministro das Finanças escudou-se ontem nos deveres de sigilo para não responder a questões colocadas pelo PSD sobre operações concretizadas pelo BCP durante o período em que foi presidente da CMVM. Uma posição que levou Patinha Antão a admitir que a sua bancada pondera obrigar Teixeira dos Santos a esclarecimentos suplementares, retomando a ideia de que o PSD pode avançar com a constituição de uma Comissão de Inquérito Parlamentar.

Teixeira dos Santos acabou por assumir, no entanto, que as operações, suspeitas de serem ilícitas, praticadas pelo BCP foram urdidas de maneira a escapar à supervisão, e que os responsáveis do banco tinham a obrigação de saber e de denunciar as irregularidades.

"Foi uma operação bem urdida e definida para escapar à supervisão", disse Teixeira dos Santos, na Comissão de Orçamento e Finanças, referindo que as sociedades offshores foram utilizadas como um "biombo para esconder ilicitudes". E adiantou que "foi prestada informação falsa, por parte do BCP , não sendo possível aos supervisores averiguar se a informação era verdadeira".

O ministro adianta que o BCP propositadamente "mudou e disfarçou ao longo do tempo as operações através de offshores, lembrando que o actual presidente da CMVM, Carlos Tavares, já o confirmou no Parlamento. "Isto torna a situação grave, mas as responsabilidades são das entidades que as praticaram e das pessoas que estão por detrás delas."

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