BCP negociou plano com Banco de Portugal

O restabelecimento dos rácios de capital do BCP vai ser alcançado faseadamente ao longo de 2008, mediante um plano traçado e negociado com o aval do Banco de Portugal. Como consequência, o aumento de capital necessário não chegará aos mil milhões de euros.

A administração do Banco Comercial Português ( BCP ) negociou com o Banco de Portugal um plano de reforço dos seus capitais próprios, a desenvolver ao longo de 2008.

Segundo o DN apurou, a equipa liderada por Carlos Santos Ferreira manteve várias reuniões, nas últimas semanas, com responsáveis da autoridade de supervisão, a fim de negociar um "abaixamento" das exigências a cumprir em termos rácios de capital e de necessidades de provisões do banco. O BCP está a preparar, entre outras medidas, um aumento de capital, que deverá ficar bem abaixo dos mil milhões de euros avançados por vários analistas, em resultado destas negociações.

Assim, o reforço dos capitais próprios será feito de através de várias formas, mitigadas ao longo do ano, não sendo necessário um reforço apenas em cash.
Recorde-se que perante situações consideradas excepcionais, o Banco de Portugal pode autorizar uma instituição de crédito a apresentar um plano de reforço dos seus capitais próprios, espaçado no tempo, a fim de evitar impactos negativos no valor da empresa em causa.

Contactado pelo DN, o Banco de Portugal adiantou não comentar reuniões entre esta autoridade e as empresas supervisionadas.

Provisão de 200 milhões

Na próxima terça-feira, o BCP vai apresentar publicamente os seus resultados de 2007, bem como todas as medidas que irá tomar para dotar o banco dos níveis de capital apropriados. Ao que tudo indica, o banco deverá anunciar uma provisão extraordinária de 200 milhões de euros, destinada a fazer face às perdas resul- tantes das irregularidades detectadas pelas autoridades de supervisão e ainda não reflectidas nas contas, como referem várias fontes.

Ontem, o conselho de administração do BCP emitiu um comunicado, dando conta que nas contas de 2007 "foram devidamente contemplados e acautelados, por prudência, todos os possíveis impactos identificados nos processos em curso por parte das autoridades de supervisão, quer no exercício de 2007, quer em exercícios anteriores - sem admissão, porém, de qualquer infracção, sendo certo que o banco não foi ainda ouvido nesses processos nem contra ele deduzida qualquer acusação".

O BCP respondia, assim, a notícias avançadas pelo Jornal de Negócios, segundo as quais o banco usou uma sociedade imobiliária controlada pelo próprio banco, para esconder as perdas decorrentes da utili- zação de sociedades off-shores para financiar a compra de acções próprias.

O reconhecimento destes prejuízos é precisamente um dos factores que vai pressionar negativamente os rácios de capital do banco.

Por outro lado, o BCP terá igualmente de fazer provisões extraordinárias, devido às reformas de cinco administradores que saíram o banco em 2007: Paulo Teixeira Pinto, Filipe Pinhal, Christopher de Beck, Alípio Dias e Alexandre Bastos Gomes. O valor desta provisão situa-se em torno dos 70 milhões de euros.

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