BCP foi o banco que mais caiu na Europa

Em apenas seis meses, o valor do BCP recuou 6,5 mil milhões de euros. Acções estão no mínimo de 17 meses.

A conjugação de factores internos e externos está a afundar o valor do maior banco privado em bolsa. As acções do BCP atingiram ontem o valor mais baixo desde Agosto de 2006 nos 2,32 euros. Contudo, perto do final da sessão recuperaram para os 2,41 euros, ainda assim uma queda de 2,8% em relação à véspera (quando caíram 6%). Desde o pico de 4,20 euros atingido em Julho último, o banco já caiu 42,6%, representativos de uma quebra do seu valor em cerca de 6,5 mil milhões de euros. Esta é a maior desvalorização, no espaço de seis meses, no sector bancário europeu.

Ao fecho de ontem, o BCP valia 8,7 mil milhões de euros, bem abaixo da "linha da vida" de 10 mil milhões definida pelo antigo presidente, Paulo Teixeira Pinto, a partir da qual o banco estaria mais vulnerável - porque mais barato - a uma ofensiva de um banco concorrente ou de estrangeiros.

No entanto, essa "linha da vida" parece ter deixado de importar para o mercado. Isto porque os analistas contactados pelo DN, bem como aqueles que publicaram notas de investimento esta semana, consideram que o BCP deixou de ter qualquer valor especulativo. Depois do conturbado processo de substituição da anterior gestão - por administradores que estavam no banco público Caixa Geral de Depósitos, apoiados por accionistas tidos como próximos do Governo -, os investidores estrangeiros passaram a considerar o BCP como um banco "fechado" pelas autoridades públicas. Ou seja, poucos se atreverão a lançar uma oferta pública de aquisição sobre o BCP , tendo em conta que terão de enfrentar um forte núcleo de accionistas, com algumas ligações ao Estado.

Mas há outras razões para explicar a queda das acções do BCP . Segundo as primeiras previsões - assumidas pelo próprio banco -, os resultados de 2007 serão inferiores a 2006, em parte devido às despesas com as reformas dos administradores que estão de saída. Por outro lado, há ainda o impacto negativo para a sua imagem das suspeitas de irregularidades praticadas pelas anteriores administrações.

Para culminar este cenário negro, estes seis meses foram marcados por uma intensa turbulência externa. Embora os factores internos possam explicar porque é que o BCP está no topo das maiores perdas da Europa nos últimos seis meses - a par do BPI (ver caixa em baixo) e de outros pequenos bancos (irlandeses, britânicos e espanhóis, todos a cair 40%) -, o ambiente negativo na banca europeia não permite ao BCP recuperar com facilidade dos problemas internos. A aversão ao risco em pleno abrandamento económico está a penalizar em especial a banca, já que os investidores temem novos impactos da crise do crédito hipotecário de alto risco nos EUA (subprime) no sector europeu, à imagem do que está a acontecer nos EUA.

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