BCP com 560 milhões de lucros em plena crise

O Millennium bcp divulga amanhã as contas de 2007, ano marcado por guerras de poder, demissões, suspeitas de práticas ilícitas e forte queda das acções. Os analistas prevêem lucros altos. Mas as atenções estarão centradas nos planos de Santos Ferreira para salvar o banco da crise interna.

Quem olhar para os resultados do maior banco privado português - a divulgar amanhã -, e não souber o que se passou no interior do BCP em 2007, poderá achar que foi um ano positivo. Isto porque, a confirmarem-se as previsões dos analistas, o banco deverá apresentar um lucro de 560 milhões de euros. Um valor que, embora quase 30% abaixo do ano anterior, supera os resultados líquidos de todos os seus rivais, excepto os da CGD, ainda desconhecidos.

Mas esse número não é, claramente, o mais importante. Primeiro, porque poderá ser contrabalançado pelos montantes que o banco já confirmou que irá colocar de lado para pagar as indemnizações aos administradores que saíram. E, mais importante, para cobrir as perdas relacionadas com as investigações à utilização eventualmente irregular de paraísos fiscais (aponta-se para valores entre 200 e 350 milhões de euros).

Depois, porque os analistas contactados pelo DN concordam que o maior problema do BCP , neste momento, é a fragilidade da sua estrutura de capital. Nomeadamente, a sua capacidade para cobrir as responsabilidades assumidas com os clientes ou no mercado de créditos.

Os rácios que medem essa capacidade estão abaixo do nível que o Banco de Portugal julga como confortável. Um desses barómetros é o core capital ratio e o do BCP está, calcula-se, pouco acima dos 4,5%. O limite mínimo aconselhável é de 5%. Esta fragilidade foi provocada, sobretudo, pelas menos-valias potenciais das suas participações financeiros. Em particular, a posição no BPI, cuja queda recente das acções poderá colocar as perdas potenciais do BCP em perto de 250 milhões. Mais um efeito das várias tentativas falhadas de aproximação entre os dois bancos.

E é neste contexto que surge a possibilidade, já descontada pelo mercado accionista, de um aumento de capital. "Um reforço de capitais na ordem dos mil milhões de euros recolocaria os rácios de capital em níveis confortáveis, acima dos 6%", confidenciou um analista de banca, que pediu para não ser identificado. Há outras soluções, como a venda de activos não estratégicos. "A pos sibilidade de vender as posições na Grécia, Turquia e EUA, já me parece menos provável, uma vez que significaria uma mudança considerável de estratégia", acrescentou o mesmo perito.

E é precisamente essa estratégia que será avaliada pelo mercado amanhã, mais do que os acontecimentos do passado, que já deprimiram as acções de forma acentuada (ver texto abaixo). "O que eu quero saber é se vai haver aumento de capital ou não e, se houver, qual a sua dimensão. E, depois, quero conhecer a estratégia da equipa liderada pelo novo presidente [Carlos Santos Ferreira], se vai manter as metas do plano estratégico Millennium 2010", adiantou um outro analista do sector.

A "crise de confiança" do banco só será superada, dizem os peritos, com uma mensagem forte dos novos líderes. "Mais que os números do passado, vai ser o tom em que será feita a apresentação dos planos para o futuro, que poderá marcar uma viragem no banco", resumiu um analista.

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