Administração do BCP com salário de director-geral

A nova administração do maior banco privado português, liderada por Santos Ferreira, decidiu esperar pela definição da futura política de remunerações da instituição e optou por reduzir o seu vencimento mensal. Berardo diz tratar-se de uma medida coerente.

A nova administração do Banco Comercial Português ( BCP ) está a ser remunerada com vencimentos equiparados ao cargo de director-geral do banco, até ser indicado o novo conselho de remunerações e previdência.

O conselho de administração do BCP , liderado por Carlos Santos Ferreira, decidiu abdicar dos valores de vencimentos fixos pagos aos anteriores administradores, até que a nova política de remunerações dos órgãos sociais do banco seja definida, apurou o DN. Esta só ocorrerá após a eleição de um novo conselho de remunerações e previdência, prevista para a próxima assembleia geral ordinária do BCP , que deverá decorrer em Março.

Esta atitude, assumida pela nova administração, foi confirmada ao DN por Joe Berardo. "Julgo ser uma posição coerente por parte da equipa liderada por Santos Ferreira", referiu o accionista. "Não se pode criticar determinada prática e depois eleger uma administração que continua a segui-la", acrescentou.

Recorde-se que Berardo foi dos accionistas do BCP que mais se bateu pela alteração da política de remunerações do banco, tendo chegado a solicitar a divulgação pública dos vencimentos dos diversos administradores em, particular, de Jardim Gon- çalves, pretensões sempre rejeitadas.

O DN contactou o BCP , sobre os vencimentos auferidos pelos actuais administradores, mas o banco não faz qualquer comentário.

Os vencimentos auferidos pelos diversos administradores do BCP ao longo dos anos tem sido um dos assuntos mais polémicos em torno da instituição.
Ao longo dos anos, o banco divulga apenas as remunerações fixas e variáveis totais do conselho de administração. De acordo com os últimos dados disponíveis, relativos a 2006, o conselho de administração executivo do BCP auferiu, como remunerações fixas, um total de 5,4 milhões de euros, enquanto a remuneração variável total dos nove administradores ascendeu a 21,4 milhões de euros.

De referir que a anterior administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD), presidida precisamente por Carlos Santos Ferreira, ganhou em 2006, uma remuneração total fixa de 2,2 milhões de euros, menos de metade da parte fixa do BCP . Segundo algumas fontes contactadas pelo DN, os 349,1 mil euros auferidos por Santos Ferreira, enquanto presidente da Caixa em 2006, são inferiores ao vencimento anual de um director-geral do BCP .

Os valores auferidos por cada membro do conselho de administração do BCP não são conhecidos, sabendo-se apenas que o conselho de remunerações e previdência fixa o vencimento do presidente, variando a dos vice-presidentes entre 85 e 60% do vencimento do presidente, enquanto os vogais auferem entre 40 e 60% da remuneração do presidente.

No que respeita à remuneração anual variável, esta pode chegar até 350% da remuneração anual fixa. Os administradores do BCP recebem ainda uma remuneração plurianual variável, até 250% da fixa. No seu cômputo total, a parte variável dos vencimentos dos administradores não pode exceder 10% dos lucros do exercício.

5,4 milhões de euros

foi a remuneração fixa total auferida pela administração do BCP em 2006

2,2 milhões de euros

foi quanto receberam os administradores da CGD em 2006, de remuneração fixa

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