A pesada agenda de Santos Ferreira

Menos de 24 horas após a sua eleição, o novo conselho de administração do banco iniciou funções. E são muitos os desafios que tem pela frente, que vão desde a melhoria dos resultados à alteração do modelo de governação. Sem esquecer a questão da perda de valor do banco, cuja recuperação depende igualmente da melhoria da conjuntura internacional.

Melhorar a actuação do banco, traduzida em crescimento de resultados, repensar a actividade internacional e pacificar a base accionista. Este são os grandes desafios que o novo presidente do Banco Comercial Português ( BCP ) tem pela frente, ao mesmo tempo que deverá procurar a recuperação do valor das acções.

Carlos Santos Ferreira vai apresentar no início da próxima semana as linhas estratégicas que irão orientar a sua gestão, apresentação esta que será feita ao conselho geral e de supervisão (CGS) do banco.

Uma das incógnitas sobre as escolhas da nova equipa reside em saber se irá dar continuidade ao programa Millennium 2010. Este conjunto de medidas, apresentado em Junho do ano passado, já está a ser implementado e o anterior presidente, Filipe Pinhal, tinha já anunciado a intenção de antecipar para 2008 alguns objectivos traçados para 2010. No fundo, pretendia-se reforçar a estrutura de capital do BCP , nomeadamente dos capitais próprios, ao mesmo tempo que se implementava um ambicioso plano de expansão comercial.

Este desafio - reforço dos capitais próprios - Santos Ferreira terá de o alcançar sem pedir mais capital aos accionistas. Afinar a poderosa máquina comercial do BCP é o primeiro passo a dar e, para tal, conta com o homem a quem Filipe Pinhal entregou a coordenação do Millennium 2010, Paulo Macedo, um dos novos vice- -presidentes. Santos Ferreira vai querer "dar a volta" aos resultados (que em 2007 foram inferiores aos de 2006, como Filipe Pinhal já adiantou), depois de ter enfrentado situação idêntica na Caixa Geral de Depósitos (CGD). Sem esquecer a aplicação e intensificação do programa de retenção de clientes de maior potencial.

Negócio internacional

Com as operações internacionais na Polónia, Grécia e mais recentemente na Roménia em marcha e com objectivos definidos, a nova equipa de gestão do BCP tem dois mercados externos aos quais deverá dedicar especial atenção: Angola e Espanha. Naquele país africano, Santos Ferreira recebe um Banco Millennium Angola com novos parceiros, a Sonangol e o Banco Privado Angolano, que vão ficar com uma posição de 49,9%, através de um aumento de capital. Esta alteração accionista vai operar-se em breve e a nova administração do BCP vai ter de acompanhar as mudanças.

Em termos internacionais, a grande incógnita reside no papel que a nova gestão pretende ver assumido pelo BCP no mercado espanhol. Numa altura em que a parceria com o Sabadell já conheceu melhores dias ( BCP reduziu recentemente a sua posição no banco espanhol e o presidente executivo do BCP , Joseph Oliu, pediu para sair do CGS), Santos Ferreira poderá "virar agulhas" e procurar um novo parceiro.

Vindo da CGD, o novo presidente do BCP poderá tentar uma aproximação com o banco público, depois de, em 2000, os dois bancos terem acordado a possibilidade de avançar em conjunto para alguns mercados externos, acordo que foi posteriormente abandonado.

O presidente do BCP vai querer igualmente estabelecer uma nova forma de relacionamento entre a gestão e os accionistas, depois de um período conturbado nestas relações. Poderá assistir-se a um novo modelo de diálogo.
Além da recuperação do valor do título, que não depende apenas da actuação da administração, a nova administração terá ainda de repensar o modelo de governação do banco, com a sua preocupação mais imediata centrada no alargamento do CGS e na indicação dos novos membros do conselho de remunerações e previdência, bem como a indicação do novo revisor oficial de contas, pontos retirados da última assembleia geral.

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