Nova contradição fragiliza Dias Loureiro

O antigo conselheiro de Estado ora disse que tinha 15% da Plêiade, empresa de José Roquete vendida, em 2000, ao BPN, ora afirmou que tinha uma opção de compra de acções de 15%. Certo é que no contrato de venda, a que o DN teve acesso, é dito que Roquette é "único titular" das acções que representavam a "totalidade" do capital social da Plêiade

Dias Loureiro foi ou não sócio de José Roquette no grupo Plêiade? Esta é uma dúvida que resulta das declarações do antigo conselheiro de Estado quando cruzadas com o contrato de venda da Plêiade à Sociedade Lusa de Negócio, documento a que o DN teve acesso. No contrato é dito claramente que José Roquette era, à época, "o único dono e legítimo titular" das acções "representativas da totalidade do capital social da Plêiade".

A posição accionista de Dias Loureiro na Plêiade foi um facto que os deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito ao BPN deram como assente. Aliás, no relatório final, da autoria da deputada socialista Sónia Sanfona, é dito que a Plêiade era uma "empresa detida antes pelo Dr. Dias Loureiro e Dr. José Roquette".

Só que, mesmo durante os trabalhos da comissão e publicamente, há declarações contraditórias de Dias Loureiro: o antigo conselheiro de Estado ora diz que tinha uma stock option de 15% (opção de compra de 15% das acções), ora diz, revelando no Parlamento uma conversa com José Roquette, que já era detentor de 15% da empresa.

Contactado pelo DN, Dias Loureiro adiantou uma nova versão: o facto de José Roquette estar mencionado no contrato como único titular da totalidade do capital foi porque "antes do negócio com a SLN, eu vendi as minhas acções ao Dr. Roquette que depois vendeu tudo à SLN". "Eu revendi ao Dr. Roquette as minhas acções pelo preço estipulado por acção para a venda da totalidade do grupo à SLN", acrescentou Dias Loureiro, garantindo que todas estas movimentações "estão perfeitamente documentadas".

Porém, com esta explicação fica ainda uma dúvida. Deputados da comissão parlamentar de inquérito contactados pelo DN garantiram que, durante os trabalhos da comissão, não há referências claras a qualquer compra de acções da Plêiade feita por Dias Loureiro a José Roquette para, posteriormente, vender ao empresário.

Serão estas contradições que o Departamento Central de Investigação Penal (DCIAP) estará a investigar. Não num processo novo, mas nas investigações em curso ao BPN. Ontem, o departamento liderado por Cândida Almeida informou que existem 9 processos relativos ao BPN e que "não houve abertura de qualquer outro processo".

Recorde-se que a investigação ao chamado caso BPN foi repartida por vários inquéritos para evitar um "megaprocesso". Porque, como se tem assistido nos últimos anos, os "megaprocessos" acabam com os julgamentos a prolongar-se durante vários anos.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG