MP investiga património da família Loureiro e de Oliveira

Entre 2003 e 2005 circularam 15 milhões de euros em contas sediadas em paraísos fiscais. Dois filhos  de Valentim Loureiro estão sob suspeita, assim como o vice-presidente da Câmara de Gondomar.

O património e os negócios da família de Valentim Loureiro e do vice-presidente da Câmara de Gondomar, José Luís Oliveira, vão ser passados a pente fino pelo Ministério Público, segundo adiantou ao DN uma fonte judicial. Os procuradores irão analisar todas as transacções feitas de forma a tentar esclarecer qual a origem dos 15 milhões de euros movimentados em offshores, tal como o DN adiantou ontem.

No caso de José Luís Oliveira, os procuradores do Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto (DIAP) têm pela frente uma longa tarefa: Oliveira, o vice-presidente da Câmara de Gondomar, é, segundo a declaração de rendimentos entregue no Tribunal Constitucional, dono de 223 propriedades e sócio de duas empresas. A investigação do DIAP do Porto irá incidir, segundo informações recolhidas pelo DN, na análise das escrituras de compra e venda, cruzando estes elementos com os dados bancários, de forma a apurar se o valor efectivamente pago foi declarado à administração fiscal.

Po sua vez, Valentim Loureiro declarou ao Constitucional ter participações em mais de 15 empresas e é proprietário de várias lojas comerciais e de quatro casas. Porém, e tal como o DN avançou ontem, quem aparece ligado a alguns movimentos de dinheiro em contas offshores são os seus dois filhos, Jorge e Nuno Loureiro, administradores da sociedade Actinvest, Investimentos Mobiliários e Imobiliários, propriedade da família Loureiro.

Na investigação de- senvolvida no âmbito do caso da Quinta do Ambrósio, que foi o ponto de partida para este novo caso, o MP de Gondomar detectou ainda um movimento de 402 mil euros entre uma conta offshore de Telmo Fernandes, sobrinho de Valentim Loureiro, e outra pertencente a José Luís Oliveira, esta última sediada no BPN Cayman.

Os filhos de Valentim Loureiro surgem ainda referenciados como titulares de uma conta no Finibanco Cayman que, a 10 de Março de 2004, recebeu uma transferência de 400 mil euros proveniente de outra conta offshore titulada por Américo Sousa Neves, engenheiro na empresa Gondoprojecta, um gabinete de arquitectura e engenheria. Esta transferência teve alguma coisa que ver com uma decisão camarária? É isto que o DIAP do Porto está a investigar.

Anteontem, em reacção a uma série de buscas realizadas pela Polícia Judiciária, Valentim Loureiro concluiu: "Só pode ter sido uma coincidência" que as mesmas acontecessem "numa altura em que milhares de gondomarenses estão a promover a subscrição de apoio à minha recandidatura à Câmara de Gondomar".

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