Dias Loureiro cercado para deixar de ser conselheiro

A comissão de inquérito ao BPN vai agendar nas próximas semanas a segunda audição do ex- -administrador da SLN. No PSD, António Capucho  e Luís Filipe Menezes defendem a sua demissão  do Conselho de Estado para proteger Cavaco Silva.

A comissão de Inquérito ao BPN está prestes a agendar a segunda audição do antigo administrador da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) e actual conselheiro de Estado Manuel Dias Loureiro. Isto depois deste ter sido acusado pelo Expresso de ter mentido aos deputados na primeira vez que prestou declarações em São Bento sobre o caso. É neste contexto que ontem duas personalidades do PSD, António Capucho e Luís Filipe Menezes, defenderam a demissão de Loureiro do Conselho de Estado.

Em entrevista ao Correio da Manhã, António Capucho, que também é conselheiro de Estado eleito pela Assembleia da República, afirmou que "Dias Loureiro devia afastar-se porque está a embaraçar o Presidente da República e as instituições democráticas".

O também presidente da Câmara Municipal de Cascais consi- derou o BPN "o caso mais escabroso depois do 25 de Abril" e alertou o seu partido para o facto de não poder deixar "que se diga que não se fala do caso Freeport para que não se fale do caso BPN".

No mesmo dia, em entrevista ao DN e TSF, o ex-líder do PSD, Luís Filipe Menezes também considerou que Dias Loureiro já devia ter saído do Conselho de Estado.

O DN tentou ontem em vão contactar com Manuel Dias Loureiro.

A 27 Janeiro, o antigo ministro da Administração Interna de Cavaco Silva garantiu na Comissão de Inquérito ao caso BPN, não saber da existência da Excellence Assets Fund, que permitiu uma compra ruinosa de duas empresas tecnológicas em Porto Rico, da qual resultou um prejuízo de 38 milhões de dólares. A 14 de Fevereiro, o Expresso revelou documentos que provavam que Dias Loureiro tinha assinado dois contratos onde esse fundo é parte.

Dias Loureiro negou ter mentido aos deputados, por apenas se ter socorrido da sua memória e mostrou total "disponibilidade" para voltar a ser ouvido. A comissão, presida pela socialista Maria do Rosário Belém aprovou nova audição, sem data marcada, o que deve acontecer nas duas próximas semanas. Tanto mais que os trabalhos da comissão deverão estar concluídos em meados de Maio.

Cavaco Silva, que recebeu Dias Loureiro em final de Novembro do ano passado, garantiu publicamente não ter razões para duvidar da palavra do conselheiro de Estado que ele próprio nomeou. Mas admitiu também não ter poderes para demitir um membro do seu órgão de aconselhamento.

Ainda no final do ano passado, Nuno Morais Sarmento também defendeu a demissão de Dias Loureiro e Pedro Passos Coelho admitiu ser um "incómodo" para Belém. Entre os socialistas, Jorge Sampaio e Almeida Santos também se manifestaram favoráveis à saída de Loureiro daquele órgão.

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