Cadilhe denunciou negócios de Arlindo

Foi Miguel Cadilhe, antigo presidente do BPN, quem denunciou ao Ministério Público os negócios feitos entre Arlindo de Carvalho e o banco. Cadilhe incluiu, em finais de 2008, numa queixa-crime vários casos considerados como "danosos" para o banco. Juiz Carlos Alexandre ouve hoje de manhã administrador que admitiu ter recebido 600 mil euros em notas

Sentados lado a lado num dos governos de Cavaco Silva, com o caso BPN os dois antigos ministros encontram-se em pólos opostos: Miguel Cadilhe, como antigo presidente do BPN, denunciou ao Ministério Público os negócios de Arlindo de Carvalho com o banco, ontem o antigo ministro da Saúde foi interrogado, durante cinco horas, pelo juiz Carlos Alexandre. Ao DN, o advogado João Nabais, que representa Arlindo de Carvalho, garantiu: "Foi esclarecido tudo e mais alguma coisa." Hoje, o juiz deverá decretar as medidas de coacção aos três arguidos interrogados.

O dia de ontem foi de forte "entra e sai" do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC). A manhã começou com José Oliveira Costa, antigo presidente do BPN. Entrou nas instalações do TCIC como "preso preventivo", saindo, ao final da manhã, como "preso domiciliário" com pulseira electrónica (ver caixa). Isto porque o seu advogado requereu a libertação imediata do banqueiro. Chamado a pronunciar-se, o procurador Rosário Teixeira não se opôs. Não restou, perante a actual lei, outra alternativa ao juiz Carlos Alexandre senão a libertação de Oliveira Costa. O banqueiro sairá amanhã do Estabelecimento Prisional da Polícia Judiciária, sendo conduzido à sua casa. Durante o dia de ontem, a especulação nos corredores da justiça andava à volta de um eventual acordo que Oliveira Costa poderia ter feito com o MP: em troca da domiciliária, o banqueiro passaria a colaborar com a investigação. Até à hora de fecho desta edição, não foi possível confirmar tal tese.

Já Arlindo de Carvalho, antigo ministro da Saúde num dos governos de Cavaco Silva, entrou e saiu  do TCIC na mesma: como arguido, suspeito de crimes de fraude fiscal, abuso de confiança e burla. Só hoje é que Arlindo de Carvalho, José Neto (sócios numa imobiliária) e Coelho Marinho (antigo administrador do BPN que continuará a ser interrogado hoje de manhã) conhecerão as medidas de coacção pedidas pelo procurador Rosário Teixeira e decretadas pelo juiz de instrução. Pelo meio, cabe à defesa pronunciar-se sobre os pedidos do MP.
Tal como o DN revelou ontem, as suspeitas sobre Arlindo de Carvalho e José Neto assentam, essencialmente, em dois negócios com o grupo BPN, que fazem parte de um documento interno do banco denominado como "Casos Danosos" e incluídos por Miguel Cadilhe na queixa-crime apresentada em finais do ano passado. Um deles prende-se com a compra de activos feita pela imobiliária Pousa Flores ao grupo Ricardo Oliveira e, posteriormente, revendidos ao BPN. A investigação pretende apurar se houve empolamento na avaliação da compra de forma a dar folga para um eventual circuito de comissões. Por outro lado, os investigadores pretendem saber por que razão Arlindo de Carvalho assumiu 50% da posse da Herdade das Misérias, em Lagos, quando, de facto, esta era 100% detida pela Sociedade Lusa de Negócios.

O senhor 600 mil

António Coelho Marinho vai continuar a ser interrogado pelo juiz. Ao que o DN apurou, sobre o antigo administrador do BPN recaem suspeitas de fraude fiscal e abuso de confiança. Aliás, foi o próprio que confessou ter recebido das mãos de José Oliveira Costa 600 mil euros em notas. O que indicia que se trata de dinheiro não declarado ao fisco.

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