BPN: arguidos Arlindo de Carvalho e dois empresários

Arlindo de Carvalho, ex-ministro da Saúde e accionista do Banco Português de Negócios (BPN), e dois empresários do ramo imobiliário que tiveram negócios com esta entidade bancária foram constituídos arguidos no âmbito da investigação às actividades deste banco e do seu principal ex-accionista, a Sociedade Lusa de Negócios (SLN).

Estes três arguidos serão ouvidos hoje no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), revelou ontem à Lusa fonte ligada ao processo.

A casa e o escritório de Arlindo de Carvalho foram alvo de buscas na quinta-feira, por parte da Polícia Judiciária e o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), que no dia seguinte fizeram rusgas à casa de Dias Loureiro, em Cascais, adiantaram a SIC e a TVI.

De acordo com a televisão de Carnaxide, os dois empresários também foram visados por buscas. Segundo a Lusa, trata-se de dois administradores da sociedade de gestão e exploração imobiliária Pousa Flores, à qual o ex-ministro de Cavaco Silva tem ligações..

Segundo notícias recentes, a empresa Pousa Flores comprou, com crédito do BPN, activos ao grupo Ricardo Oliveira, no valor de cerca de 75 milhões de euros, de 2005 a 2007, numa operação em que o banco assumiu o compromisso de comprar esses activos e que prejudiciou financeiramente a instituição bancária.

Com Arlindo de Carvalho (envolvido no caso devido à venda ao banco de empresas do Instituto de Participações ao Estado, onde o ex-ministro foi administrador) e estes dois empresários, sobe para cinco o número de arguidos no caso BPN. Os outros dois são Oliveira e Costa, ex-presidente da instituição bancária, e Dias Loureiro, ex-administrador da SLN, que detinha o banco.

Dias Loureiro, que foi constituído arguido há mais de duas semanas, não comentou a notícia das rusgas. "Não falo sobre isso. Não digo nada", declarou à Lusa o ex-conselheiro de Estado e antigo accionista do banco, tal como Arlindo Camacho.

No passado dia 1, Dias Loureiro foi ouvido como arguido no DCIAP relativamente a dois negócios, o da Biometrics e o da Redal de Marrocos.

"Pude esclarecer aquilo que pude esclarecer", disse então o antigo ministro do PSD aos jornalistas, reiterando que "não cometeu nenhuma ilegalidade".

Manuel Dias Loureiro revelou, na altura, que durante a inquirição foi "confrontado com documentos que nunca tinha visto".

O também ex-administrador da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que detinha o Banco Português de Negócios (BPN), disse também, na altura, que "aceitava as coisas como elas são" e ter pela frente um "longo caminho".

Dias Loureiro é o segundo arguido do caso BPN, depois de o ex-presidente da instituição financeira, Oliveira e Costa, que está em prisão preventiva há vários meses.

O processo em que Dias Loureiro foi constituído arguido relaciona-se, conforme confirmou então o próprio, com a compra em 2001 da empresa Biometrics, em Porto Rico, estando em causa também a venda da Redal, concessionária de águas em Marrocos.

Este processo está a ser investigado pelo DCIAP, chefiado pela procuradora-geral adjunta Cândida Almeida, que no início de Maio havia dito que o ex-conselheiro de Estado seria ouvido "o mais rapidamente possível".

Em finais de Maio, Dias Loureiro pediu ao procurador-geral da República para ser ouvido no inquérito criminal ao caso BPN invocando o direito ao bom-nome.

Dias Loureiro já foi ouvido duas vezes em sede de comissão parlamentar de inquérito, tendo os deputados apontado várias contradições e omissões no seu depoimento.

FC/CC

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